segunda-feira, 12 de outubro de 2026

ovo no forno

fica queimado.  invulgar...


não importa quanto troque o jeito
ou varie calores numerados
nenhum fica
e nenhum fica bem.

tirei o ovo da casca
e a casca bronzeada do ovo
sobrou uma gema padecendo
de qualquer tipo de costume.

virou um soro
junto do caldo
espesso e de aspecto elaborado
da perseverança de o moer
batido com pauzinhos.

fotogénico espera a gula
que o sorva num só trago
a delícia
da fome e de memórias
que inovam quando ficam.

talvez seja abrigo e o meu consolo
talvez.
de momento foi safa heroína,
só agora o conheci.


sexta-feira, 9 de outubro de 2026

procriar a castração

moribundo cheiro de tudo o que se pisa
na cozinha e em toda a parte
ele descansa probo
dessa forma guarda o proveito
de quem o toma amanhã.

um reflexo que é sentença que é quem olha que é quem vive
nessa imunda maneira de dar vazão àquilo que mais imperativo é
entre todos que habitam nessa casa.

um reflexo pronominalizado
que é que é
quem é e foi e jura
que não será
depois da hora
amanhã.

observem o cemitério arreliado
mais os seus filhos com os pés
estirados nas paredes:
o repouso merecido após mais uma jorna inconclusiva.
toma a frase em conclusão
ironicamente roubando o passo
àquilo que cabia ao amanhã.

sábado, 3 de outubro de 2026

mais um sonho sim

eu tive um sonho que não podia guardar
na lista infinita
fiz antes um pedido
do qual não me posso lembrar.

estás tão longe
mas isso é a prova de que estas medidas
estão gastas no que guardam. 
quem - é
é - é
que guarda
o portal de onde fluem
as memórias que valem a pena?

dita as palavras que completam
sem sigilo o que descreve
a forma duma utópica
presença que preenche,
compensa.

vulgo fugir do frio
ou estar perto de alguma coisa
que cabe em verbos como amar
ser
para sempre sempre sempre

 sempre sempre sempre sempre

 sempre sempre
 sempre sempre
 sempre sempre
 sempre sempre
 sempre sempre sempre sempre

 sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre
 sempre sempre


é um sonho.