sexta-feira, 31 de julho de 2026

os filhos do mal

passa-me a caneta encarnada
que escreve este nome 
condenado
donde o amor como nunca
se sentiu 
coube
em flores malvadas
d'um porco
dois
feitos um para o outro.

ha
ha
ha
ha

post em linha recta

nunca conheci quem não repudiasse a porrada
ou se não condena, não deu.
todos os meus conhecidos são feitos de pura virtude e tolerância.

não consigo fugir da zanga, do patético sentimento de revolta
não contra as injustiças, mas contra mim em particular
por uma pinga de amor-próprio que já por si vem mastigado
por um queixo que se mostra sem que se preze, só se ergue
em puro instinto de preservação
este meu, que se purga e se sujeita à baixeza da sua casta
sem juízos magnânimos, maquinações sinistras do sistema -
nada disso, só a cara peluda inconsciente e insubmissa
que cala a matraca quando devia falar
e fala quando devia ficar em silêncio.
eu, que não condeno os tiranos
nem tomo a parte de quem nos cuida,
nem vergo as costas às boas causas,
ridiculamente contra tudo, calando e consentindo
não por concordar com nada mas por,
discordando de tudo,
não querer fazer nada.

e a grande rede que me circula e me acolhe
é feita só de gentes boas, certas, articuladas,
de pomba branca incauta nos ombros e enciclopédicos saberes na alma
todos eles senhores - todos eles príncipes.

quem me dera ver de alguém a calma gasta
que me contasse um rancor, um malquerer
só umzinho que fosse!
não, só ações cívicas e a mais prudente
forma de levar a vida a tento,
todos só me dão os melhores conselhos.
haverá alguém neste mundinho transiente
que se tenha passado e foi à cabeçada
ou não indo, quis muito?

mestres, doutores, meus príncipes
raios mais a grande consciência!
há quem tema a justa ira dos céus neste mundo?

ou sou só eu que sei que me vão ao pêlo
pela vil forma como me arrasto nesta terra?

pode o amor ter sido acordado
e escapado pelas linhas do tratado
pois amaram sim! dizem os termos do contrato
e traições e mazelas da rotina não entram
nessa quadrada legalidade do que é ser par
pois assim ninguém se zanga, não há gritaria e roupa suja
nem que se traia ou se tome por parvo!
e eu, que nem traído nem feito tolo
virei a casa ao contrário, e chorei de ridículo
e escondi essas lágrimas em mesquinho orgulho
sem contrato nem nada, joguei as palavras com impropérios
passando vergonha na rua, nas escadas, em toda a parte.

como posso existir à frente dos meus modernos superiores?
eu que tenho sido vil, literalmente vil
vil no sentido fodido e embaraçoso da vileza?

terça-feira, 28 de julho de 2026

verbalizando fora do contorno performa a expressar jocos neste nosso fado

amália, cojunga-me aí tricromiar
ou trissomiar
ou desemerdar 
(dsclp, esse só não pode porque é mau-mau tautau)
ehh, tá-
arrolemos então designios
para alexitimiar o ai ai
do tipo
designar
é tornar design:

>< <> >< <> <> <> <>

(jokinhas pr'a ti,
em puro código,
fugindo assim dum ciumento
basilísco)

segunda-feira, 20 de julho de 2026

este país não é para cegos

furei o olho que não vê
sorte foi
fold na small blind.

perdido por dez
perdido por trinta
perdido por um
perdido por nil:
nil novi sub sole.


marcação da forca omw - de roma por meios transatlânticos

meia-noite, hora do adoro
ou do adorno, o giorno
contorno dum bendito 
entrecosto.

bem posto.  bem dito.
reveza o pedido -
o pedido um menino
que relembra o mendigo:
a sério tem pouco
o jugo na coxa
pendura no alto
os ténis de fato
dois cacos dum prato
e serpentes no passo.
assim vê-se o vislumbre 
no tracto
yuck
tresanda a mofo.

problem?
what problem?

no espaço cowork
alambique à espreita
e as meias fodidas
cobertas de meita.

papelão papelão
papelão papelão
é vilão pois se não
fui eu que errei.

fuck fork dork
live laugh love
tic-tac-toe
& xoxoxo.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

ninguém

namae namae doki
doki dói a ver o tempo que 
o motorista leva até fechar 
um pedido fechado às escuras.

são canções robóticas, azuis
simples e ~~ pum
qual é qual é qual é?
quem é que fez parte dest-
ninguém  ninguém  ninguém  
ninguém  ninguém  ninguém  
ninguém  ninguém  ninguém  
sorry sorry sorry
uh - uh trovando contos 
justificam boças, contas que fazeis
em tédio, conforme, a voz que impele
ao trabalho, fracote sem coragem
o mecanismo que tomam todos
para lidar com isto de que 
ninguém  ninguém  ninguém  
ninguém  ninguém  ninguém  
ninguém  ninguém  ninguém  
é pessoa pessoa pessoa
pessoa pessoa pessoa
só uma forma coadjuvante de ser
esquecido pelo tempo devorante
faminto e certo, bocanhando tudo
quanto cabe na falta de vontade
cultivada por
ninguém  ninguém  ninguém  
ninguém  ninguém  ninguém  
ninguém  ninguém  ninguém  
ou 
tu e tu e tu e tu
mas paga quem canta e faz memória
sem matéria daquilo incontável, essa tal
força indeterminada e fogosa
escrita apenas em fugazes contos
- brincos, formato de vestuário
para lidares com a fumaça inútil
que arremata em quem és.

já tá
já foi
és tu a
maria que não fez
nem deu nem deu
luz ao filho Dele
concebe apenas a face inculta
dos que penam como os burros
como as penas cinzentas aplanadas
pelas rodas e por quem sabe mais
que há-há-há-há
envolto em segredos, as luzes que cabem
na manga dum mago malvado, cheio de respeito
pois encho de catarro, espirro, inspiro
já tá
e entredentes
ah!
ping!
morre morre morre 
morre morre morre 
morre morre morre 
morre morre morre!

o sal da terra verte o líquido purulento dos seus proventos
sucinto, o éter e a sua forma
ficando assim dobrado e esquecido por mais mil anos.
lembra-se portanto o Pai e pouco mais
picando - devorando
carne plástica e pouco mais.

誰の記憶にも残る人間はいない
誰の記憶にも残る人間はいない
誰の記憶にも残る人間はいない
誰の記憶にも残る人間はいない
誰の記憶にも残る人間はいない
誰の記憶にも残る人間はいない
誰の記憶にも残る人間はいない
誰の記憶にも残る人間はいない
誰の記憶にも残る人間はいない
誰の記憶にも残る人間はいない
誰の記憶にも残る人間はいない
誰の記憶にも残る人間はいない
誰の記憶にも残る人間はいない

quarta-feira, 8 de julho de 2026

boi na linha

não se esqueçam das orelhas-abanico
do mestre, paizinho, de bandelete
e riscas nos ombros
a dita espinha da sua farda,
a rica vinha que nunca brota
fanico, vero e lambido
pingas que sobram quando roda.

prensa com vigor mais um ente
imaginário, de engenhosos talentos
virtudes transbordando e as gotas escorrendo
que tomam a camisa branca como um palco
para os seus vacarinos contornos.

muuuuito bem e ágil da mente
trapezista de bigode com todas as feições
do mundo no guarda-roupa
líder nato
rei do pasto
com um onze na testa
mais um alvo na pança.

é chefinho pró abate
sim sim sim!