segunda-feira, 29 de julho de 2024

no game november

chamam-lhe late game, fim de jogo
quando estás perto da última forma, de um boss final
a tua roupagem é a mais rara, os itens imprescindíveis,
só a poção máxima e mais forte serve.
a música fica mais tensa, as sombras ocupam-se do mapa
e encontras-te num corredor pomposo e texturado
porta trancada na retaguarda, só caminho adiante.

escondido do outro lado um mistério, ou a capa
o propósito de toda a jorna
aquilo a que chamam clímax
ou atividades de substituição (existencial)
dependendo de que lado da cela se pensa.

codificado, jogador preparado
reparas num transeunte atípico, em contramão
suspendes a descrença pois sabes onde estamos.
planeado, jogador preparado
espada e escudo, uma sombra de leste
esperando correr as letras miudinhas.
pinturas de artificio cobrem o negro que os vitrais escondem.
começa a cena e não acaba o jogo,
como? chamam-lhe pós-final.
mete mais um crédito e volta a tentar.

sexta-feira, 26 de julho de 2024

sequóia e um homem-animal

sequóias matutinas filtrando a luz
com a facilidade típica dum ente experiente
fitando-nos formigas efémeras, rodando impertinente
e com ares de importância. 
guarda o caminho a cruz
nas costas e adiante, cobrindo o largo do percurso
que persistimos com raízes
ligeiras, na superfície.

enrolado num bosque, perdido da vista
dos meus amigos milenares
esqueço-me que ares respiro,
por isso pousei a boina num ramo
e dediquei-a ao Senhor. mas esqueci-me.
sem testemunhas, sem ser o Próprio,
guardando-a em segredo numa casca da Sua idade,
eis um saber que transita da alma
e escapa na mata.

o fiel fumo duma fogueira
acendida no instinto de guardar uma vista
ou assombrar o grotesco. 
o corpo feito num tronco
adormeces.
amanhã estarás de volta a bosques mais familiares,
apartado do juízo, entregue à adolescência
do sintético que te cobre o jazigo. 

quarta-feira, 24 de julho de 2024

trato / a imagem / a sombra

imagem, o que é é como é
o que não, quiçá se faça ou quiçá desista
abdicando de pretensões de estética
no domínio da sua realização.
palpitam-se nas menções
a malvada regra aritmética
que até nas contas do seu desígnio
expressa senhor e servente 
pela fita das juízas, segundos com milénios,
e o resto da cavalaria do estamos a tentar.

proporções, com ou sem rácio,
atento ao suposto
perdido por momentos.
serenos, montadores ativos se debruçam
nos contos sem tento
do terço incolor
mostrando com o peito cheio de gosto
as magias do esforço e da dor.

rege piamente a origem
a causa primordial
eu cansado, imaginem,
tentando ir além do bem e do mal. 

terça-feira, 23 de julho de 2024

observação mercenária.

envelhecemos devagar, com tempo.
torna a manhã a apresentar-se, às vezes um castigo
repetidamente a embaraçar-nos 
no nosso vulnerável e profundo descanso.
ena, umas rajadas sonoras
e uns raios de luz,
ena. o nascer do sol, igual
a si e igual a sempre.
nem um feijão brota em um dia.

a observação:
aqui temos uma unidade tão pequena mas tão ampla
infelizmente sliced e diced
entre inúmeros calendários
partindo tartes das minhas tardes
mas saciando nenhum propósito.
talvez ter tempo para isso, se isso. para mim.
no geral? não saberia dizer.
ou orgulho no ofício, ou na perícia,
uma fé convicta, com traços de ilusão
qualquer que seja, observa-se claramente
o tempo acorrentado, mutilado, 
desfigurado nas regras que o mantinham isento.





segunda-feira, 22 de julho de 2024

um tapete a penantes é um pássaro morto e espezinhado no chão, dizimado pelo trânsito da gente que o pôs a viver naquele sítio, que, tratando o evento de forma totalmente indiferente, age como se nada fosse. 

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eu não consigo categorizar o meu email
como saberia categorizar espécies?
delego a quem sabe ou ao tempo
se ninguém sabe.

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três versos em contra-relógio
retilíneo, grafia antiga
perdi o momento e o resto de um beijo.

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altivo, amigo dos mendigos
certo dos perigos
arisco ou arrisco?

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ontem assumi que ia parar
e há dias, meses,
gastos no inventário vencem ao geist.

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quarta-feira, 17 de julho de 2024

vosso professor
não porque sabe mais,
nem porque tem talento
com ensinar ou educar
só sabe dizer o suposto a horas certas, 
e as impressionantes mentes absorvem o escarrar
duma consciência veloz
que não se atreve a ser boa
porque tem medo e passou frio.
desculpa de merda.

sapato furado como a moral
do malandro que se prega capaz,
um rapaz, mas se afiambra
sem espécie nem género
da conveniência predileta
que para tantos é luxo
e para outros desperdício.

queria mesmo que fosses livre.
queria mesmo que fosse livre.
subir custa,
custa o ego e tempo 
mas recuperas no purgatório,
sem pressas.
sem pressa.
nanananananana nanana nana.

e o teu amor mano?
(mana)
essas convicções fortes?
tem poder
mas...
e essas convicções fortes?
tá liberto do desejo
e... as convicções fortes?
hmm
nanananananana nanana nana!
nanananananana nanana nana!
nanananananana nanana nana!
nanananananana nanana nana!

falando honesto e despido da estrutura fácil de esconder coisas entre versos
e estrofes
teehee

a sério, falando honesto e despido da estrutura fácil de esconder coisas entre versos e estrofes, eis uma descrição correcta do que se está a passar: são oito e dez (notem, até nas horas!). o espírito está estupidamente energizado do cocktail sagrado (alcool destilado seja como for + mendigos e altivos). uma coluna chunga tão velha como este blog toca a mesma playlist de sempre: um misto de personagens, que variam no gosto musical mas regressam com frequência aos mesmos ciclos e sons. uma paisagem que já teve sol por hoje, mas agora esconde-se na privacidade duma renda algures. sempre de olho na janela, vendo-os (vendo-vos?) a desenvolver a sua história, o seu conto. os passarinhos doces que aprazem sensibilidades incompreensíveis adornam a vista. uma ventoinha mecânica abafa janela fora os ares parados da memória e do escapismo, e voltas a bater tecla. 

aqui tens,
~um poema. 
uma confissão, 
um mistério.
um professor destinado
a engarnar-se que sabe o que não faz.

terça-feira, 16 de julho de 2024

para depois do sol maior

pões-te K.O. num instante
considerando que até nas luzes de estar por ti
pareces-te mais franco e mais afiado
e capaz, um rapaz.

a narrativa apresenta-se bem, até
é o que é mas pinta-la bem, usted
fazes quê? ré?
pois, não.

tu tututu tu tu tutututu
sendo vilão em sol maior
bem-aventurado pelas andanças
que dizes tão cínicas,
considerações atípicas dos membros do plenário
acho eu, quer dizer, 
talvez faça sentido na vossa casa
assim, agora, no centenário duma causa
justa
em todo o caso
vilão em sol maior
tu tututu tu tu tutututu
tu tututu tu tu tutututu
tu tututu tu tu tutututu
so criminal.

um gajo mau
ou um gajo podre?
lanchinhos em cascais
pra ∞

um gajo tão podre, tão raro
que seja tão óbvio, tão claro
com goticúlas que lhe pulvilham 
o rosto sem esforço
e realçam o pálido
da face magra,
coitado.

tu tututu tu tu tutututu


sexta-feira, 12 de julho de 2024

a colmeia de vidro

estacionado num terminal rumo a lado algum
pelo menos dentro desta cabeça de chapéu
calhau depressa corre dum breu comum
evitando percalços, banhadas com
nenhum safo, de poucos fazendo fel, 
fiel,
um mandarim mal-amado, maltratando um sócio,
vestido de zumbidos baratos e cansados.

tira a cinta e descalça a velhota na cadeira
de rodas, rodeada de fardas e olhares menores 
fazendo-se grandes e fortes,
bigode barato e cansado zumbindo
com o larapio de horas, metade aselha
metade abelha,
esvoaçando por maletas de camponeses
como um jardim de flores metálicas
com as sépalas guardando o que sobra 
da dignidade destes compadres 
que na sua traição penduram
os ofícios dos seus vindouros.

a tentação na janela, fila pronta
bolas de fogo guardam a insegurança do vosso ego
na boa-vinda e nas esteiras
falando de erros e besteiras.
perscrutei à volta, pisei um prego,
vi uma montra
e um sinal proibido. 

quarta-feira, 3 de julho de 2024

tricéfalo+1 (200 poemas!)

eu leio a tua prosa
a toda a hora
e penso nela
a toda a hora
e cada hora
é um poema
cada hora
é uma memória
que perdemos nos ses
e nos ais
e nos mas
e nos tais
momentos que perdem
ou perdemos os dois
por sermos tão longe
e por seres tão...
tão.
por seres tão tão...
isso tudo.

tremi num swing estranho
quando um gajo ficou graúdo
ponteiro que bate num áspero implacável
crescer
é isso,
isso tudo.

já meti este desafio na cara de tantos manos
perguntei sobre moral e sobre saberes que pouco entendo
queria fechar negócio, saber que ia bem
mas a tropa cansou-se, afastou-se
tornou-se memória, meteram-se além.

aqui, aquém
crendo que tento é razão
sentado numa varanda de improviso
equilibrando um cinzeiro na beira
- sem guardo -
lá em baixo seria parte dum poema
de versos sem tempo e estória.

pan-óptico letrado
uma lente desfocada
e cada hora um ai, um se
uma confusa distância que podem ser milhas
meses
ou heranças da alma
com séculos estornando 
estrofes misturadas
de tu
tu 
tu
e tu.
caiu 
- a chamada - 
mais um tapete a penantes.