é um principio vazio, esse do eu.
"eu", alguma coisa que desabrocha
contorce-se pelos rugidos bravos
de leões famintos e raivosos
ou o raio que o parta.
tá.
arrisco que sejam mais gatos lambidos
passeando a verbose nas línguas cortadas
em escrivaninhas maciças e desocupadas
não vá o instinto aventurar um trespasse
às tarefas diárias de arrochar ou ciar.
miau, o esplendoroso despertar da consciência
miau, ele dorme nas caixas que adorna de rótulos
miau, são espelhos cromáticos que adoram o sol
as redomas que travam um querer supetão
um rasgo liberto com os dentes no chão.
dessas crias soturna só mesmo a pelagem
que esvoaça no bafo duma voz papagaia
repetem os nomes remetem aos temas
sabido é dizer que se penteiam neles
puxando dos lados revelam a testa
mais o crânio velado de dentes caninos.
II
há dois sem partida? sim
III
é que as partes tornam as dores mais fortes
o sensível mais fundo, a dureza mais dura
a estrutura comanda e a estrutura expõe
o apreço tão sábio dos fortuitos legados
esses ficam pegados à lomba e aos mil
desígnios que guardam para falar de foda
a estética forma de vestir com vernáculo
desabafos rendidos ao querer ancestral.
esta vírgula é um brinco
vírgula
a outra é um chapéu
traço
esse fica nos cílios, agarrado às ramelas
penduricalho nos pêlos à volta do olho.
como passa vaidoso o senhor desta selva
coroado por normas da escola de chicago!
miau miau
faz-se de alcoólatra
foi ao terapeuta
bebeu uma jola
ó filho de baco
atrasou-se um bocado
esqueceu o cachimbo
do filtro moderno
protege os pulmões
decora os sermões!
sem ar não há voz
sem voz o rugido
se afoga em catarro
e ficaria despido.
miau miau
copo dourado que comanda a boémia
burguesa vontade da fuga de classe
esquece essas bestas que vivem no tasco
derrete-lhes a vista uma bibliografia.
mas o ouro pôs-se omisso
assobiou uma cantiga esquisita
sem instrumentista
a melodia era bela
mas os seus ouvidos de gato
não entendem a prosa
de um passeriforme.
V
4 perdido, quartos trocados.
desculpe mas o meu cupão diz
que este é meu e não teu...
sabes ler não sabes?
tá.
podes vir já que eu não trouxe bagagem.
VI
no alto da lua, minha musa, lúgubre e sã!
fita o teu reino de tinta da china
vê o vaza-barris, guardião do espólio
cantando o porteiro aos teus pretendentes
os algarismos casados que não os poetas
os poetas castrados batendo punhetas.
hã?
os algarismos cansados que não são poetas
os ilustres letrados pousando as lunetas.
(perdão).
miau miau miau miau miau
miau miau miau miau miau
miau miau miau miau miau!
miau miau miau miau miau.
miau miau miau miau miau.
miau miau miau miau miau
miau miau miau miau miau.
miau miau miau miau miau
miau miau miau miau miau,
miau miau miau miau miau.
miau miau miau miau miau,
miau miau miau miau miau
miau miau miau miau miau!