sexta-feira, 13 de junho de 2025

perdi novamente

perdi novamente, no fim
(como se houvesse outra altura),
prudente desfecho que abranda
quando segundos e terceiros
disputam um rasgo de glória.


sorrirá a sorte grande, um sinal
maldito
sonhos dum destino
mórbido e bem articulado.

traz-me a carta, vira 
no seu jazigo
um rei e o seu trunfo.

farto
que flop.

quarta-feira, 11 de junho de 2025

a música de hoje num par de cartas, uma delas versada

27 compete-me decorar
é uma péssima mão
mas são os teus últimos dígitos
quando mos deste em vergonha
querendo ir além.

cabem na memória
algarismos baratos, branqueados por pertença
que não cabe num ego esguio
arqueado, apetrechado de flanelas
camisas, que baril
ser velho e tentável por finos
fios negros que se abanam
com toques frágeis.

ouvi-te a murmurar como querias
ser um pescoço em mãos dadas
ao descontrolo
e joguei, meti tudo na mesa
enquanto 
guardo nada na manga.

serás vitória impossível
um pote caro
ao ego, risível.

quinta-feira, 5 de junho de 2025

a paciência que ferve estorva

cachaça sem graça apruma o cachaço
mais letras pacatas de mira na prosa
sem cosa sem casa sem nostra
que bosta
pois baste, batuque
tipo sinais de fumo
o grumo embaçado
pois tussa essa vossa
ruína anilar.

pousei
por pousado
mais deixe-se estar
é o traço incolor
atrás do altar
depondo a certeza que traz uma trave
oculta e central
o mar nos degraus.

o ódio com a fera
febril no resguardo
humedece a madeira de lenha nativa
altiva e serena, melódico embate
coxeia certeira, serpentes no braço.

nesse embuste fraterno cabe a alma
e a calma e alma e a calma
a alma e a calma a alma
e a lama
e um toque hediondo
a dizer dorme já.

quarta-feira, 4 de junho de 2025

quem e quem? a invisível passagem do tempo

meu cota, meu brother,
matéria é barata
honesta é a verdade.

minha rocha, virtude
a herdade da terra
é honesta a matéria.

edição fulgurante:
derruba-se o título e derruba-se o ponto
a impermanência pode ser reescrita.

pós-punk

eis se fica uma cinza
batida e apática em folhas
ou versos dotados
indolor mas rasgada 
perfídia nas costas
abraçadas por finos fios
de plástico barato e sem sal.

condiz a trama com a causa
coisa cousada, sem jorna poente
descrente que explique o branco
poisado entre a membrana 
nervosa em tempos de terno
e a mira fina, de soslaio
convida o diabo
ao tempo engajado.

ele toca.
ele dança.
ele faz por ficar.

que sois
além dum timbre fecundo
sombreando as orelhas?

traga valente
outra por cima
o regime cansado
sem horizonte que o ponha.

puxa o cabelo
dobrando as orelhas
estalam com músculos 
nas juntas convexas:
o controlo
qual salamandra 
que mos ponha esticados.

dura
persiste
aguenta piscando
certa se esbate,
desejando-te um grave
problema.

jaz um suspiro
mouco lembrete
guardado entre peles
de suor e saliva.

terça-feira, 3 de junho de 2025

mais um chapéu

assusta um filho
assusta um ente
quando se fecham os olhos
todos se lembram quem foi.

é o papel do arrivista
é tratado na hora
por resmelenga poesia 
sentado numa caçamba
o caminho se segue
seja qual for a forma.

tudo padece 
num bater caramelo
contra um impresso cinzeiro 
feito para o 3d.

quem és
senão um luto hostil
cheio de alguma coisa
tipo um ego
que te carrega essa vontade
de ser ouvido (ou olvido).

morre nos anos noventa
morre agora que resta
augúrio, ser puro
cinismo e fachada.

beata virtude
um nome de engate,
como o podre que és.

elegia pelo whatsapp

olá
desculpa a surpresa
o teu avô
morreu
como se soubesse
aguardar por um adeus
que trouxeste sem aviso,
como este.
desculpa.
desculpa?

e o silêncio pairou por uns momentos
enquanto o movimento da cidade
persistia sem remorsos.

um homem bom e explorado
tratado de baixo por quem sabia
a sua honesta forma de jogar
riqueza e querença pelo abismo
tudo tentos com veneno enleado
longe do caminho de Cristo.

foi como um qualquer
pombo da cidade
em forma tão grande
esbelta vivência e humilde
tal o quer
quem não o guarda, 
só espera.

o caminho do céu é fácil
para seu getur.

foi preciso um adeus
que quiçá me compete
ou coube, à justa
na sanita sem assento
na água dum pote de barro
que ficou num cantinho
guardado por década e meia.
por desgosto e espera
com fraquezas no braço
lembranças fraternas
duma casta a que pertenço.

seu getur, bom homem
jogou ao largo desbocado
as lembranças semi-lambidas
por cães que ladravam quando passava
uma motriz vontade, pacífica
e mineira, senhora da obra
sem pertença que a justifique.

pingou com um toque
a vibração como todas
que te dizem a morte
o adeus
pós-atlântico
enquanto quebrava a voz do meu pai
num audio cruel
sendo mais forte do que pode.

é a verdade do passo que traz
a virulenta vontade, violenta,
partir a boca aos transeuntes
olhos carregados
do diabo dourado
negado em vida
pelo homem.

fica um fúnebre, supetão
planta apodrecendo contra
a vontade cantada entre tantas
orações de joelhos.
o poder e o ser, cobiçando
alguma forma de sentir o
sol torto dos filhos do sul.

bule, bule bule!
foi o papel que compete
aos teus genes
assim como se nota
quando a voz trancada duma
mensagem diz apenas
beleza,
é triste
mas beleza.

batem os pés
o vagar dissolvido
na fria resposta
dum neto longe.

e o silêncio pairou por uns momentos
enquanto o movimento da cidade
persistia sem remorsos
rodei eu mais as crianças
que jogavam à bola
tomei juízo
tranquei a cara
como o pai
na hora da cruz.

Ele recebe de mãos abertas
alguém bendito
em canção e solitude
os restos pútridos
do outro lado do
atlântico
penam a liberta
alma que a casa torna.