quarta-feira, 4 de junho de 2025

pós-punk

eis se fica uma cinza
batida e apática em folhas
ou versos dotados
indolor mas rasgada 
perfídia nas costas
abraçadas por finos fios
de plástico barato e sem sal.

condiz a trama com a causa
coisa cousada, sem jorna poente
descrente que explique o branco
poisado entre a membrana 
nervosa em tempos de terno
e a mira fina, de soslaio
convida o diabo
ao tempo engajado.

ele toca.
ele dança.
ele faz por ficar.

que sois
além dum timbre fecundo
sombreando as orelhas?

traga valente
outra por cima
o regime cansado
sem horizonte que o ponha.

puxa o cabelo
dobrando as orelhas
estalam com músculos 
nas juntas convexas:
o controlo
qual salamandra 
que mos ponha esticados.

dura
persiste
aguenta piscando
certa se esbate,
desejando-te um grave
problema.

jaz um suspiro
mouco lembrete
guardado entre peles
de suor e saliva.

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