não parece haver nem remédio, nem escolha, nem meta
nem inimigo, perdão ou razão.
um funil neurótico,
sem fim.
com os eus definidos como um todo, uma média aritmética
cuja fuga (ou tentativa de) também o define.
prudente e zeloso!
não sou um dos todos, ou de parte deles?
óbvio que sim.
mas desta vez em números concretos,
e se a fuga é calculada e impressa na definição da aflição que a alimenta,
e se não há nem remédio, nem escolha, nem meta
nem inimigo, perdão ou razão,
então... o quê?
será fora do binário entre a acção e a aceitação que está o remédio,
ou a escolha, ou a meta
ou o inimigo, a perdoar,
ou o propósito?
então a analogia é pobre.
deveria procurar o divórcio entre o sonho e o desejo,
mas se estes estão casados então que Deus os separe.
ou a morte.
bem adverti que estas são reflexões ocultas na insuficiência do meu alcance.
pois ser anónimo é ser pequeno
e o pequeno é seguro e pode ser gentil.
sou um eu em muitos eus.
sem remédio, nem escolha, nem meta
nem inimigo, perdão ou razão.
o erro foi achar que o pé esquerdo tem que saber o chão que pisa
e só anda se este for melhor.
caminhar é um instinto, não um cálculo.
o dinheiro não vale nada e a música não para só por teres outra pauta.
compositor só um, e Ele não sou eu.
