segunda-feira, 16 de setembro de 2024

duque peralta discursa

o peralta fez-se cacique, naturalmente
tanto quanto formos verticais
um reflexo cortado, metade sonho metade vivinho.
armadura bem janota, sapatilha cascuda
veneno lento cobrindo a lâmina
sangue atrás dos olhos, nova vista
como bandeiras num parque de nações.

reluz lança que apontas adiante
brilha para cima e para baixo
e para todo o lado, menos em frente
que golpeia na sombra e ilude o seu alvo.

o janota, envergonhado,
pousou a espada e no discurso
desabotoou a túnica que lhe cobria o tronco
e falou com imagens hormonais, normais.
fiquei incrédulo e confuso
e fui pastar com o gado,
eu, uns malandros, vários pombos, um cãozinho
e a memória de um peralta.

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