segunda-feira, 30 de setembro de 2024

serra de arriba, tiros de baixo

o monte e um bico-grossudo atrevido
destemido em pouco mais que meia hora
os três capangas, os herdeiros desta barraca
abandonada e coberta de lagartos, largados
ao que sobra do lixo duma trupe de carochos.
o meridiano cruzando-nos o peito
o sinal da vida, o sinal da cruz
ha ha ha
abençoados, crendo
apadroado dum destino
que escolheu pela arte.
ha ha ha.

talvez seja um rasgo da prudência
desmanchada em chuva e algo
como o álcool ou ser minguante
perante a lua e a mata, arruma
a caruma, cisca a ave essa alma
vazia e roxa.

mais uma noite
mais uma
noite
as estrelas entre as linhas e entre os postes
escondidos do sol e dos bosques
que apelam à vida pelo que precisa.
sentes o que vem?
sentem o que vem
de ser o que vem?
o futuro, nós
as pegadas da troça debruçadas no que resta
do espírito que chamamos de alma.
traço, mais um,
corpos mortos da guerra
que sentes na espinha
e escondes na rotina.

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