fugi fugi fugi fugi
e fugi fugi fugi fugi
e novamente fugi fugi fugi fugi
fugi fugi fugi fugi
e mais outras porque o sol pôs-se e eu quero que ele fique lá no aterro onde ele se enfiou
até que um peixe lhe coma os olhos lazarentos
e os crustáceos façam da sua casca um penico
e os diabos do fundo do mar puxem esse nojo pelas fissuras do abismo
fugi fugi fugi fugi fugi fugi fugi fugi fugi.
a luz apaga-se
as janelas acesas da vizinhança zombam da minha cara
insistindo em continuar como se o fim não fosse certo
tipo um fio solto que puxas e puxas
para comprovar em que momento a linha acaba
se haverá peça que resta
ou se salta um botão
se calhar fica tudo igual?
burro, se fores convicto que chegue
até um vestido bem liado perfeito vai virar um novelo informe
como os pensamentos imbecis que voam quando a lua não chega
ou quando a hora não muda
nem com dois anos de espera
nem com a fé a que te agarras
nem com mil desculpas ao vento.
fugir então torna-se apenas lógico
doutro modo vou começar a jogar pedras
contra a puta das janelas que não apagam
e ainda acerto em alguém que não tem nada a ver com isso.
eu não quero fazer mal a nada
eu só queria que a luz fosse boa
e que a minha pele brilhasse com as estrelas
em qualquer parte da jorna o ouro da inocência
resplandecendo na galáxia em sorrisos tímidos
e de mãos dadas com o destino.
não
é
assim
nunca
seu
labrego
perverso
se ela bate nessa cara pálida e manchada
uma traça pousa para te avisar
que te escapas ao castigo
volta para a toca bicho fedorento.
hoje o amor da minha vida casou-se
e mudou de nome
e tomou-o dum terrone.
um murro sem esforço
sana as vozes da madrugada em destiladas
magias que delapidam os pulsos de plebeus
e pela calada a nova apoteose.
é Deus
que diz toma rumo
juízo
razão em laurear a princesa
dos versos perfeitos
e que se lixe o trauma
que levas na fronha
é só a lição que comprova
que andavas torpecendo sem premissa
por vales sem vida
cultivando degredo.
foge foge foge foge foge
e continua bandido porque um dia serás apanhado
e vai ser dupla a perdição
uma pelas dores do corpo
outra porque levas com elas e amochas
mártir sem causa
engolido no tempo dos dedos tesos
e das memórias fracas.
o homem solitário de Deus.
eis o desfecho
pistolas de dedos
disparando contra o busto
armadilhando o futuro do discurso
se seguires pelos caminhos da força plena
e não das fraquezas da alma que se debruçam
e revelam a busca que nunca
conheceste senão quando a esposa
ex-noiva
se juntou do seu par funesto a quem lanças injustiças
como se fosses parte desse gambito.
perdeste a dama
e fugiste por isso
aceita porque o Senhor dá-te sempre a resposta
e as medias conforme aquilo que precisas
por isso
roga
e põe-te de joelhos
escória imunda.
ahaha.wav
ELA É FELIZ
apenas um filho Dele
com ódio pulsando
por causa do tempo.
é de noite
a luz incomoda
circulando a cidade
tudo segue
e tu também.
já caíste para o lado
agora odeias cordeiros no mundo das nuvens.
a manhã vai chegar com o peso das pedras
e depois sem promessas
no máximo
eu gosto da minha mãe
mas o amor evaporou
e tornou-se um fim macabro
em francês ou russo ou o diabo que os guarde
lá na fossa onde me leva.
por isso
fugi fugi fugi fugi fugi
e fugi fugi fugi fugi fugi
não digam a quem fica.
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