como são tão sensatas?
como dobram as costas?
por quem levam as mágoas?
concedendo à verdade
já soubemos os dias
agora custeamos pernoitadas
em hotéis vagabundos.
são segundos
no desejo
depois do vislumbre incauto
franzindo em silêncio
contornam olhos com mágoa.
chegam arautos
postulam versos dotados
sentem-lhe o azedo dos dedos
disfarçam o verbo para os lados.
mesquinho
coçando o bigode
sinto pena de vários
e saudades de algumas
fazendo parte do todo
liando teias em seda
rimando ancas com tranças
o incompetente poeta.
senhoras madames donzelas
sereias princesas e donas
encarnam dores de infância
cobrindo-se em florais fragâncias
nascem dos seus próprios pulsos.
não dormem bufos na noite
tampouco ratos do campo
e o travesso das cortes
balança a graça na raça
convicto nos seus
afiados cabelos.
é uma magia
senhora
senhora
pessoa
custa que as formas difiram
nessa sorte malandra
que nos levanta a cobiça
dobrando as mãos contra a lua
erguem-se contra o vazio
e nada é mais belo, confesso,
do que uma dança segura.
Nenhum comentário:
Postar um comentário