domingo, 9 de fevereiro de 2025

cafeína heroína

fiz-te um café
das capsulas dignas
ficam para as célebres
visitas
quando passam
neste buraco
que velhos e imigrantes
chamam de lar.

ficaram vestígios
degenerados
de droga barata
que chutámos aborrecidos
entre umas barras
de mars
encarnados
piscando cóleras
opressivos, as rédeas
entrelaçadas
como cordas ásperas
espalhadas pelo chão
coberto de cinzas.

dois cigarros
doentes
com medo
do silêncio.
ficámos a preto e branco
num rolo
que não se pode revelar.

talvez a bica
lave as ramelas
do espírito.

hm hm hmmm
fora connosco
não cabemos em sonhos
breves
por isso espalham-se os rasgos
dum flash que suprime
aquilo que memórias míopes
constroem porque precisam
dum acervo
que as complete.

a pedra falha
e uma faísca sustenta
o amargo do café.

somos cruéis
somos cruéis
somos cruéis
somos cruéis
somos cruéis
somos cruéis
e os membros
cortados 
pagam
e os membros 
não dormem.

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