quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

o desertor

quebra-se a fé
mirra, é uma flor
no inverno tardo.

o conto-promessa
sem capítulos
de leveza noctívaga. 

cruzando os dedos
ele agita
a doença incorpórea.

a Boa Nova
desce com as ondas
dum satélite metálico
funde-se
à carne flácida, fraca
nas jornas
que o sol não pisa.

purificado
em chama
esférica e branca
petrifica
no seu desígnio.

são rezas e lendas
crenças silvestres
rasteiras na frase.

boémio pastor
espreita da vinha
o cordeiro revolto.

nega três vezes
três vezes por si
uma por cada lente.

Verdade
o vago consolo
tempestuoso silêncio
recurvo
abrindo os braços
mas a vista coberta.

um amigo
trilha na neve
e o fogo
não se extingue
ao sabor do vento.

desejo profano
criança tentada
por baixo da linha.

perece com calma
não percas a vista
rodando no ânimo.

deserto sabido
converso fugindo
do ábdito amor.

suplica em terra
um sussurro castiço
lembranças na esquife
que corre o riacho.

sobe
aceita o que é.

em todas as margens só há uma forma de pedir o perdão.

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