quinta-feira, 6 de março de 2025

autor

espirros do buraco
abanam o charco 
as estrelas que vibram
sagradas no contorno
abençoado de quem 
reza para o fiasco.

quem senão
eu, o autor
o animal.

o animal espera
bestas carentes
sedente, as presas
afiadas brilham
com as velas que
oscilam na varanda
de onde o abismo
mira, bestial,
animal
quem sois
quem sou.

a presa se esconde
na sombra dum sol negro
omisso do que lhe
compete.

brilhos do eixo
que não cruzam
vértices capazes.

é sagrado, sagrado
um triângulo capaz
de mistérios que a alma
guarda quando sonha
desligada de quem a traz.

hmmm hmm hmmmm
eu sou o 
autor
o animal autor
definhante imbuído em veneno e segredo
autor, a cara dum animal.

silêncio
para o animal
animal autor
caindo livre
de negritude desagarrada
o sangrento dos dentes
autor.

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