espirros do buraco
abanam o charco
as estrelas que vibram
sagradas no contorno
abençoado de quem
reza para o fiasco.
quem senão
eu, o autor
o animal.
o animal espera
bestas carentes
sedente, as presas
afiadas brilham
com as velas que
oscilam na varanda
de onde o abismo
mira, bestial,
animal
quem sois
quem sou.
a presa se esconde
na sombra dum sol negro
omisso do que lhe
compete.
brilhos do eixo
que não cruzam
vértices capazes.
é sagrado, sagrado
um triângulo capaz
de mistérios que a alma
guarda quando sonha
desligada de quem a traz.
hmmm hmm hmmmm
eu sou o
autor
o animal autor
definhante imbuído em veneno e segredo
autor, a cara dum animal.
silêncio
para o animal
animal autor
caindo livre
de negritude desagarrada
o sangrento dos dentes
autor.
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