segunda-feira, 24 de março de 2025

com todo o respeito

ya ya ya yaya
os meus bros são um degredo
e consomem a noite como traças
aos milhares amontoadas
sem dor, em intuito
cor de fumo, cor de contornos baratos
e de parques de estacionamento
pousadas em paredes, quinas
como a nação.

armadilha de aranha
devora-as sem piedade
e que justiça
canta nesta teia!
que justiça
ser apanhado, julgado
considerado.
só quero ser um ponto
uma referência nessa estória
de vulgos vernáculos
que abandonei.

chamarias de amor
a pulsante insistência
de permanecer?
ou instinto?
ou razão?
ou podre e pornográfico
cérebro animal?
seria todos, pois
claro
sendo todos
como negar?

gostava de violentar versistas baratos
jogar-lhes os ossos contra traves d'aço
e conhecer o sabor da dor que escorre
de homens fracos gritando
pelo que compete
pelo ego, pela essência, pela pura vontade
de persistir, como respeito
essa vontade.

senhoras, sabeis
sabeis?
sabeis.
eu também 
salivando com o perfume
da hora, subindo 
espicaçando
a investigativa e idiota vontade
que puxa quando não chama
escondida e profana virtude
de se arrastar pelas eras viradas
contra a mão que as dita.

abraços
a ti, a ti novamente
e todos os novos que podia
herdar no instinto
sendo um por cada vez
e outros ao tropa
e outro de caridade
quem merece merece
e o puto mano
canino, pequeno
merece. todo o meu
respeito 
isolado e cheio de asteriscos
como se pode
quando se quer.

serias minha num mundo armado
mas a paz impera e isso
é muito respeitável
ficam versos onde deixaria
vestígios.
sendo contra
culpa antes os teus
pares ou instintos.
é o tempo que temos
continuas
um desejo duma insónia
a que chamam amar.

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