super-memória, cantada pelos corredores
dias de calor pertencem aos suores
de gentes envoltas numa nuvem roxa
dedos em bico, coxas à mostra
libertos em fugazes lembranças, consta
que uns quantos conheceram o chão
outros não
forte, penante, pedinte, a elite
difusa em pós coloridos, o senão
da vértebra colada às raízes
fazendo lenda de uma sola pegajosa
e corajosa, queria muito que fosse solta.
conta, como não? tomando o globo por coroa
são donos da noite, todas, os seus serventes
num vai-e-vem bendito, a quem compete
só aos próprios, com vidros nos dedos
e vontade nos dentes
trespassam correntes, vão à lua
quem poderia crer que assim se formam
heróis revolucionários?
um homem improvável, de alças e pele
branca
tudo negro na alma, nas pernas
garrafas de carne que sobem com o som do gelo
batendo nos cantos redondos que encarceram
a vontade feminina, sentida com um pulsar
ritmado no quatro por quatro latino,
e a pele se abana
a vista embaça
tudo primando um primal e certeiro
segundo perfeito, bem sabido
dormido se fica
mas aqui emerge com a grandeza digna
da essência que as torna em bestas e anjos.
ligaram, esqueceram
mentiram à família
que mentiu por sua vez
perfídia e fecunda mocidade dum canto
qualquer.
sem tento as luzes fraquejam
com olhos rasgados.
ama-se a verdade
é a forma perfeita
dos agarrados da vida em compassos latinos.
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