fortuna equilibrada numa linha
saltando plataformas verdes, magrinhas
compactada numa caixa - noutra caixa
pediu uns dias de baixa mesmo a tempo
e roda com o mundo:
nos títulos de grandes editoriais
nomes são coisas, pessoas animais
a rã, o escorpião, o caga-luz na alvorada
obeliscos e rotundas, talvez mais obras na estrada
um escuro pano de fundo, naufragam espólios
algures, algures.
treme a linha, expira
um arrítmico palpitar
um vagar extenuado por essas formas
do globo composto por várias janelas.
mira - os olhos na taça
o ar dum suspiro final
normas de bom cidadão
mazelas da coabitação.
roda, o céu faz-se claro
não toma notas
ouve o som do trânsito cruzando a avenida
olhos vermelhos repousam em bossas roxas cansadas
por um cão que morre, e faz-se luto
famosos de nome e de cara penam, faz-se a luta
considera e se informa, seca as mãos
no jornal.
a linha a linha a linha
sobe e desce e sobe e desce
um sismo grosseiro
interrompe-te o turno.
babel em toda a parte
salve-se a fortuna dos desígnios
da linha e do traço.
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