quarta-feira, 12 de novembro de 2025

passageiro

essa adolescente forma que assumes
quando caem os panos e é a sombra
dum canto recôndito que faz de vera
vera vera vérité, visível e reconhecida
dos que testam e tentam, arrisco
um tento desse V
grande e descomprometido V
gra-an-an-de
assumiste, vestiste, foste, exprimido
e sem palavras, o perfil do ideal
contra luzes difusas de postes
mal estacionados, manos no parque
fumegam das janelas, é fácil perceber.

assim que topas e topas, como quem sabe
ai, ei-los, em duplas, em plena noite
falam, são quem são
é difícil ser-se mais lindo que um
par honesto parado num canto.

mas sou um gajo
gaja.

mas sou um mano
mana.

e a seda pálida foi um palco,
um cénico espanto que diria
eis
digna e jovem, eterna 
sem percalços fraterna, um rasgo honesto
duma mana, mano
d'alguém da vida, e é alguém
mano
os filmes vivem sobretudo nestas pavimentadas
a contragosto passeatas
o cristalizar do instante
mana
mas eu sou um gajo
mana
peço que te lembres desse real
carnívoro
animal e carcomido de fome e querenças
mana
ciente, presente
como todos.

há dúvidas - naturalmente
pisados pelo castigo dos contos não existirem
e o cínico, os ascos da nossa volição
constantemente insistem em oscilar entre
um sonho
um sono
um apreço pela simpática
bondade de ser ou estar
presente.

fugaz ser-se um...
filho - comandado
uma pergunta:
pai do seu verso
pai do querer honesto
desdém pela fácil forma como
dilatam essa cura, curva
apertada
volvendo-se nos seus poros e pêlos
de expressar o que não conta
os códigos - tão fáceis
lábios trancados
desafiando o verbo entre pontes
que cruzar seria
tirar a magia.

porque eu sou um gajo
mana
nos meus sonhos
somos um
nunca seria, nunca creria. 

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