domingo, 16 de novembro de 2025

sobre a cegueira das flores // erva-da-fortuna

arrimei, aconteceu
percebi com discrição 
por outras palavras, com reserva
espera, prestando da visão
e dum fato da minha igualha, deleito
duas vezes meu
um teu, grosso e farto
cortado com forragem seca
vulgo palha e muita erva.

descobrir não é saber mas sim chegar e
cheguei, chegaste, chegaram
quem? além
além do cacém
dum sopro sincopado cruzando
a via láctea, que memória:
os fotogramas contra a luz
são prova que o bicho existe
ora terréu, ora fértil.

só me pus a mexer
e esguichou uma purulenta e emotiva
música que me enche a cabeça
algures sóbrio, agora não.
perdoa-me a quebra
hoje tive tempo e pensei
no jogo, na regra e na rega.

o som não hidrata, não trata
só reitera.
o texto não hidrata, não trata
só reitera.
a voz não hidrata, não trata
só reitera.
a imagem não hidrata, não trata
só reitera.
tu não?
acho que não.

uma corte de corpos celestiais
orbita em quatro por quarto, simples,
uma desculpa qualquer para fazer uso
da matéria.

assim se fez a ordem nova
que fechou os olhos das flores
que secaram nos meus poros.

Nenhum comentário:

Postar um comentário