cheira a óleo e as teias estão podres
jogadas ao chão pelo vizinho de cima
o tal que canta a cantiga que já se sabes
e por sabes é pois sei, de sentimento
de pertença nos abrigos que sobram
para quem resta em carne e osso
sem fantasma, a dita força
cómica, fantástica, tombada nos pés
de andanças juvenis que cremos
até que não - até que não sabes
até que não foi mesmo
até que não - até quando esgotam
opções/ambições, sádico
até que não, estica o ão
e ladramos pelo prédio
os animais, o autor
a vizinhança
os pútridos restos de quem não resta
nem leva legado.
sê honesto
dá abertura aos rasgos de pessoa
quando transborda uma pessoa
mas tentas que se afogue
EI
desejo dum sinistro
um milagre explosivo e destrutivo
daqueles que fecham ciclos
mesozócio, moço, és antropoceno
matéria feita e forma de tudo que toca
és o regime que detestas.
e quem é que reza?
por ti?
pois.
cheira o ar enclausurado da redoma que toma
a semelhança dum semblante, busto cru
restos inférteis de memória que só conta
quando botas a conta na escala da tua corda
... como canta, infinita. como cantas, sem anéis
cantam as tombas: EI
é o teu sonho
ou não?
direi quando calhar.
paz,
nomeada pela hora da reta da meta
compete-me a descrita simbólica e impossível
porque, em honestidade, eu espero que tu
não vejas, não tenhas, não sintas
tudo que possa ser negado mais que três vezes.
o discurso neutro da natureza passa-me pelos dedos quando as vontades expiram e as rezas se ficam e o silêncio da involução declara:
EI~
não é o teu papel.
não é não foi não será não é problema meu
olha
tentem.
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