passei na galega
bisei no bagaço
revisitei um lugar.
a parte má:
só.
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É fundamental para o interesse da República que o cidadão, independentemente do seu enquadramento ideológico, considere antes a realidade material das decisões políticas - ou seja, quem efectivamente tem, e como, a capacidade de efectuar acções concretas. É impossível determinar algo como isto conclusivamente, mas é possível aproximar relações de causa e consequência. Para isto, é obrigatório reconhecer que a arquitetura constitucional das instituições que "regem" a vida política não reflete totalmente a forma como o poder político se distribui na sociedade. Por exemplo, o órgão legislativo e as suas normas não refletem todos os atores e mecânismos existentes para conduzir à produção de leis. Há fatores informais relativamente aos individúos que compõe estes órgãos (a corrupção sendo um exemplo), fatores procedimentais ou técnicos (a criação de loopholes por fora do debate em Assembleia, erro humano), a própria interpretação da lei vai muito além do texto produzido em Diário da República.
Isto pode ser aplicado a qualquer outro mecânismo de poder. A autoridade em si (isto é, o exercício de um poder legítimo) é talvez o exemplo mais pertinente. Podemos dizer que as leis e normas que regem o seu comportamento e alcance de poder/autoridade não refletem a realidade material que descreve porquê e qual é a origem do seu poder/autoridade. Podemos igualmente dizer que as leis e normas que legitimam o seu poder/autoridade foram concebidas por um processo não totalmente alinhado com aquele descrito na Constituição.
Uma nota sobre legitimidade: Legítimo é aquilo que é voluntariamente consentido pelo cidadão. É legítimo o polícia autuar infracções ao código da estrada pois, através do seu poder político, o cidadão consente à aplicação de uma série de normas que consagram àquele ofício - e por extensão ao indivíduo que o exerce - o direito a autuar cidadãos.
Pensemos então na autoridade novamente. Parece haver uma diferenciação entre a forma como esta se exerce, e os mecanismos que a legitimam. Poderemos justificar em parte dizendo que é impossível mapear o comportamento humanos e as suas infinitas ramificações num documento. No entanto, não se deverá confundir um certo desfazamento entre a legalidade e a prática, com uma total alienação entre elas. É compreensível em determinados momentos haver uma linha cinzenta pouco explícita numa acção, mas se a legalidade simplesmente não reflete a acção prática, então há a necessidade de refletir se é a legalidade ou a prática que precisam ser revistas. Um polícia que rouba abusando do seu direito ao porte de armas trespassa a lei e precisa rever a sua prática (no caso, sendo punido com a prisão), um imposto sobre rendimentos que não se aplica a determinados quadrantes não específicos da sociedade por uma questão ténica implica uma necessidade de revisão na lei, uma vez que a prática não inflige o que foi estabelecido dentro dos parametros legitimos da lei.
Sendo por isto a legalidade falível, e sabendo que o próprio processo legislativo não reflete na sua realidade o documento constitucional, para uma República verdadeira, é necessário admitir que a legalidade não pode ser o determinante absoluto do consentimento do cidadão. Doutra forma, o consentimento do cidadão não é absoluto no que toca à legalidade da sua República.
Poderemos considerar que o "duelo" político em democracia, entre partidos, representa esta parte viva do exercício do poder da República. Ou seja, através do processo (como debates e eleições) criamos o espaço para a evolução do sistema que regimenta a vida na República. Assim sendo, o cidadão participa legitimando através do voto os atores que representam a parte viva da República. Isto leva a duas questões: 1) Não é absolutamente legitimo que o voto seja o único fator que determine o poder dos atores nas Repúblicas, e o seu oposto; 2) A realidade não reflete duma forma linear a relação do voto com o poder de representar o cidadão nas instituições políticas para as quais ele votou.
Quanto ao primeiro ponto, pensemos num sistema eleitoral fraudulento. Quanto ao segundo ponto, pensemos no acesso ao poder através de máquinas partidárias ao invés de serem meramente as eleições que determinam o acesso a um cargo legislativo.
Se em todo o exercício do poder existir esta nuance, é importante reconhece-la. Para um cidadão isto quer dizer: não se deve menosprezar o exercício prático do seu poder apenas devido à sua apreciação da lei. Bem pelo contrário, a prática da cidadania tende a ser muito mais circunscrita à sua realidade material do que a uma determinada orientação geral (por exemplo, ideológica) que descreva a construção das leis.
Pensemos na óptica de um adversário da República. Como qualquer agente ofensivo, este irá buscar vantagens e oportunidades. Neste caso concreto, provavelmente nestas lacunas entre o poder real e o poder legal existirão oportunidades para tentar co-optar algum instrumento de poder real, ou de manipulação do poder legal, ou de ambos. A Máfia é um exemplo do que acontece quando uma facção adversária à República a viola, criando vínculos de poder real expropriando a autoridade inclusivamente a agentes políciais, políticos, juizes, etc. É fácil enquadrar o exemplo da Máfia pela quantidade de documentação produzida, mas enquanto a co-optação é ativa e o cidadão não tem conhecimento, este tipo de diagnóstico torna-se bastante mais difícil.
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O poema começa com a frase "tenho 50 cerâmicas e nenhuma é terra." Essa linha pode sugerir que o eu lírico possui várias cerâmicas, mas nenhuma delas é feita de matéria-prima natural, como a terra. Isso pode ser visto como uma metáfora para a ausência de elementos naturais e orgânicos na vida do eu lírico. Pode indicar uma sensação de desconexão ou artificialidade.
A segunda linha, "eis um selo sigiloso que se esconde nas vias", sugere a presença de algo secreto ou misterioso. O selo sigiloso é algo oculto, escondido nas "vias" (possivelmente referindo-se a caminhos ou trajetos). Pode ser interpretado como algo que não é imediatamente aparente, mas está presente de forma subterrânea ou subliminar.
A terceira linha, "mas revela-se numa mesa", indica que esse segredo ou mistério se manifesta ou é revelado em uma mesa. A mesa pode ser interpretada como um espaço de encontro, comunicação ou negociação. Pode representar um ponto de convergência onde as coisas são colocadas em perspectiva ou reveladas.
Em geral, o poema parece abordar temas como a artificialidade, a ausência de elementos naturais e a presença de segredos ocultos que se manifestam em momentos de encontro ou comunicação. No entanto, é importante ressaltar que a interpretação de um poema é subjetiva e pode variar dependendo da perspectiva de cada leitor.
e
Nessa interpretação, o poema sugere que o eu lírico esconde suas confissões em notas compostas por três versos. Essas confissões podem ser entendidas como pensamentos íntimos, emoções profundas ou segredos pessoais.
A frase "para que o explorador de conteúdos o decifre" indica que o eu lírico escreve essas notas com o propósito de que alguém, chamado de "explorador de conteúdos", as decifre ou compreenda. Isso sugere uma busca por conexão ou compreensão por parte de outra pessoa, alguém capaz de explorar e interpretar o significado oculto nas palavras.
Esses versos de três linhas podem ser vistos como uma forma de comunicação enigmática, desafiando o leitor a desvendar as camadas mais profundas do eu lírico. A intenção é transmitir algo mais do que as palavras superficiais revelam, deixando espaço para interpretações e descobertas pessoais.
Em resumo, o poema aborda a expressão das confissões pessoais do eu lírico por meio de versos de três linhas e convida um "explorador de conteúdos" a decifrá-las, permitindo uma compreensão mais profunda e íntima das emoções e pensamentos do autor.