terça-feira, 14 de maio de 2024
93 minutos // atracado no cais
coturno da noite
segunda-feira, 13 de maio de 2024
trato entre dedos, plástico e uma honesta forma de ser malandro
tentei pousar a coluna nas letras
o J na tela o BL na cela
as mentiras nas teclas
o peso honesto da fraude.
sabes a gatunagem no ofício
note a pad
tá aí, ++
ou melhor
+++++++++++++++++++++++++++(...)
cerimónia fajuta delinquente.
atrelado ao atalho dobrado em 8
até sempre
aprecio a máscara sincera de
jubilante preciosismo tagarela
as melhoras
eyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyy logo a seguir?
audaz.
domingo, 12 de maio de 2024
amigos sugeridos
e estoura no ego.
um gif ao acaso, uma sinceridade juvenil,
um instante honesto e transiente
mesmo que paradoxalmente esteja gravado em mais que pedra,
desligado pela vontade e não pelo acesso.
finalmente preservado em memória doutra forma,
aqui.
que esverdeou o círculo e acinzentou a linha.
a primeira em muito tempo.
sumiram-se as saudades,
um autêntico milagre da amizade
consagrado numa figurinha.
viu-se o que viste e vejo um flash do licor
dourado a reluzir na tua lente,
seguindo a vista tímida o sol e o céu limpo.
curta história, enorme impacto.
comprar tabaco
rodeiam-me pessoas agora que cheguei,
dançarinos duma manhã patrocinada pelos êxitos de antigamente.
primos plumados saltitam do outro lado
que eu sei pelo laranja vistoso que nuns é o bico
e em mim dali sai.
as margens nunca se tocam.
segui caminho, sinuoso mas depois da festa,
os varões no lago, que sabem de amor,
e as equipas à escuta, não da música
mas dos passos.
talvez cacem, decerto aguardam.
e segui o trilho direitinho, para frustração dos nativos.
pressionei adiante
e reparei que tudo vivia
e enquanto olhava lembrei-me
do tapete a penantes que fizeram duma pomba
perto da minha casa.
podre de velho.
grotesco, visceral,
um nojo de se ver.
a luz voltou-me aos olhos nas asas dum gavião
voando alto, minúsculo,
um sticker colado numa nuvem.
e pouco depois mais uma grupeta
de camisetas brancas e largas e suadas
que comicamente contornavam um pedregulho
como se fosse uma grande rotunda.
começou a chuviscar,
tirei os óculos.
exposto mas com cores mais claras e bonitas,
noto o cuidado que foi posto nesta estrada,
como eram simples as pontes,
como as raízes não erguiam o chão velho.
escurece, chove mais.
conduzem-me o foco para a gravilha batida,
mas matutino de espírito
liguei-me aos coaxos afinados
que enganavam os meus ouvidos leigos.
nunca adivinharia,
só sabia porque disseram.
parou de pingar e voltei a pôr os óculos.
deixo esta pro arturinho:
baseada lousada.
______
amarela e arisca,
luz doutros tempos.
_____
são lindas
da névoa
da carne
e do sobe-e-desce.
_____
puxei o último camelo da caixa,
acendi empoleirado no parapeito
e vi que a vossa janela estava fechada
e supus que dormiam.
_____
ou de santo.
a demagogia dum sorriso matinal.
_____
dos meus passeios em terra.
quem observa, cá em baixo ou lá em cima?
quarta-feira, 24 de abril de 2024
recordações duma caixa de transmissão
sexta-feira, 26 de janeiro de 2024
deita-te e sê portento
enterrei um JP junto à rocha que me ilustra os sons antigos,
assim até metade,
e deixei a mala fazer de mesa.
um mar fim-de-tudo aparta-se do paraíso com um fio de areia: tróia.
duas penínsulas como cabeças que se acercam para um beijo glorioso,
estampado numa fotografia,
sem nunca se tocar.
não estava ali por minha causa,
pelo menos desta vez,
mas tornei a vir muitas.
em fato de banho, peça única de azul profundo,
seguiste para a água
e eu acendi a que estiquei.
em quase tudo eramos miudinhos.
correste para o mar,
tal como quando chegaste
e tal como partiste.
o mundo deixava-se estar.
nunca entendi a felicidade dum chapinhar à beira-mar
mas entendi a tua, nem que por breves momentos.
uma cena pintou-se no deserto deste canto
e eu apaguei a beata na rocha e meti-a dentro da garrafa vazia.
os astros, imóveis até aqui, retomaram marcha,
o tempo voltou a correr. todo o mundo foi esse instante.
anoitece mais depressa, o sol é impaciente.
compreende-se.
nesse sonho não voltaste.
draft por aprovar, lentamente a pôr-se pronta
sexta-feira, 12 de janeiro de 2024
bilhete de volta.
guarda-a com fé,
na raiva que não deixa que se abra.
uma confissão invulgar.
eu nem sei pra onde vai mas espero que seja em breve.
comboio sem travagem, preserva calor na neve.
pesca idílica doutros tempos,
ou contos em formato novela.
bilhete de ida.
vemo-nos quando a carne for forte e muda.
rascunhos de um alcoólico I
É fundamental para o interesse da República que o cidadão, independentemente do seu enquadramento ideológico, considere antes a realidade material das decisões políticas - ou seja, quem efectivamente tem, e como, a capacidade de efectuar acções concretas. É impossível determinar algo como isto conclusivamente, mas é possível aproximar relações de causa e consequência. Para isto, é obrigatório reconhecer que a arquitetura constitucional das instituições que "regem" a vida política não reflete totalmente a forma como o poder político se distribui na sociedade. Por exemplo, o órgão legislativo e as suas normas não refletem todos os atores e mecânismos existentes para conduzir à produção de leis. Há fatores informais relativamente aos individúos que compõe estes órgãos (a corrupção sendo um exemplo), fatores procedimentais ou técnicos (a criação de loopholes por fora do debate em Assembleia, erro humano), a própria interpretação da lei vai muito além do texto produzido em Diário da República.
Isto pode ser aplicado a qualquer outro mecânismo de poder. A autoridade em si (isto é, o exercício de um poder legítimo) é talvez o exemplo mais pertinente. Podemos dizer que as leis e normas que regem o seu comportamento e alcance de poder/autoridade não refletem a realidade material que descreve porquê e qual é a origem do seu poder/autoridade. Podemos igualmente dizer que as leis e normas que legitimam o seu poder/autoridade foram concebidas por um processo não totalmente alinhado com aquele descrito na Constituição.
Uma nota sobre legitimidade: Legítimo é aquilo que é voluntariamente consentido pelo cidadão. É legítimo o polícia autuar infracções ao código da estrada pois, através do seu poder político, o cidadão consente à aplicação de uma série de normas que consagram àquele ofício - e por extensão ao indivíduo que o exerce - o direito a autuar cidadãos.
Pensemos então na autoridade novamente. Parece haver uma diferenciação entre a forma como esta se exerce, e os mecanismos que a legitimam. Poderemos justificar em parte dizendo que é impossível mapear o comportamento humanos e as suas infinitas ramificações num documento. No entanto, não se deverá confundir um certo desfazamento entre a legalidade e a prática, com uma total alienação entre elas. É compreensível em determinados momentos haver uma linha cinzenta pouco explícita numa acção, mas se a legalidade simplesmente não reflete a acção prática, então há a necessidade de refletir se é a legalidade ou a prática que precisam ser revistas. Um polícia que rouba abusando do seu direito ao porte de armas trespassa a lei e precisa rever a sua prática (no caso, sendo punido com a prisão), um imposto sobre rendimentos que não se aplica a determinados quadrantes não específicos da sociedade por uma questão ténica implica uma necessidade de revisão na lei, uma vez que a prática não inflige o que foi estabelecido dentro dos parametros legitimos da lei.
Sendo por isto a legalidade falível, e sabendo que o próprio processo legislativo não reflete na sua realidade o documento constitucional, para uma República verdadeira, é necessário admitir que a legalidade não pode ser o determinante absoluto do consentimento do cidadão. Doutra forma, o consentimento do cidadão não é absoluto no que toca à legalidade da sua República.
Poderemos considerar que o "duelo" político em democracia, entre partidos, representa esta parte viva do exercício do poder da República. Ou seja, através do processo (como debates e eleições) criamos o espaço para a evolução do sistema que regimenta a vida na República. Assim sendo, o cidadão participa legitimando através do voto os atores que representam a parte viva da República. Isto leva a duas questões: 1) Não é absolutamente legitimo que o voto seja o único fator que determine o poder dos atores nas Repúblicas, e o seu oposto; 2) A realidade não reflete duma forma linear a relação do voto com o poder de representar o cidadão nas instituições políticas para as quais ele votou.
Quanto ao primeiro ponto, pensemos num sistema eleitoral fraudulento. Quanto ao segundo ponto, pensemos no acesso ao poder através de máquinas partidárias ao invés de serem meramente as eleições que determinam o acesso a um cargo legislativo.
Se em todo o exercício do poder existir esta nuance, é importante reconhece-la. Para um cidadão isto quer dizer: não se deve menosprezar o exercício prático do seu poder apenas devido à sua apreciação da lei. Bem pelo contrário, a prática da cidadania tende a ser muito mais circunscrita à sua realidade material do que a uma determinada orientação geral (por exemplo, ideológica) que descreva a construção das leis.
Pensemos na óptica de um adversário da República. Como qualquer agente ofensivo, este irá buscar vantagens e oportunidades. Neste caso concreto, provavelmente nestas lacunas entre o poder real e o poder legal existirão oportunidades para tentar co-optar algum instrumento de poder real, ou de manipulação do poder legal, ou de ambos. A Máfia é um exemplo do que acontece quando uma facção adversária à República a viola, criando vínculos de poder real expropriando a autoridade inclusivamente a agentes políciais, políticos, juizes, etc. É fácil enquadrar o exemplo da Máfia pela quantidade de documentação produzida, mas enquanto a co-optação é ativa e o cidadão não tem conhecimento, este tipo de diagnóstico torna-se bastante mais difícil.
quarta-feira, 15 de novembro de 2023
então eu sou um gajo.
animado, mas um gajo.
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é mais difícil descer,
ainda mais do que subir.
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rimas que nada dizem a quem reporta.
rimas que nada dizem a quem importa.
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quarta-feira, 27 de setembro de 2023
manual prático de artismo
é um "ai nossa senhora" agnóstico,
uma pilantra da noite
que se nega não na imagem
mas na substância.
quem lhe sacode o capote descobre
o pó e o cristal e as raízes de todo o mal.
a arte.
facilita na causa e ajuda no engate.
vende, compra, dá ou empresta.
quem tem pressa não empresta,
sabe que fuinha que baste
não joga regras nem normas.
mas quebra!
alega
(nunca pisando na risca).
aliás, quem a estica
senão a bisca trunfada?
e o ás na machada
a carpintor lá se esforça:
faz uma casa a cores
e o malvado tira o seu quinhão.
é o preço dum abrigo,
abrigo da quinta e da choça.
pensando na vida com amigos de pedra.
não batem cartada, só fazem poemas.
donos de prédios, eu não quero problemas!
