domingo, 18 de agosto de 2024

a nova torre e a cidade // a nova torre é a cidade

na terra da lamúria janelas infinitas
dobram-se entre dedos sujos de ramela
a permanência vertical, o fulgente no horizonte
atrás da capa negra ou lançado no chão
como mantas num dia de verão.
instinto desperto pelo treino e desejo
discípulo do querer, da vontade fácil
ruminando memória alheia
flectindo o pai-de-todos com destreza
conduzindo à capital soberba babada.

terra prometida, um midrash moderno
escrito em línguas crípticas com precisão reversa
texto torto, não inteligível, fazendo o brilho vir
do baço e do claro o escuro.
um colosso dissimulado, vejo de uma janela
reconhecendo o que pensa atrás da sua pequena loucura
um harém improvisado, negação da sua classe
e na janela ao lado, reflexo da própria estrutura
veem-se os contornos da torre e da cidade
desejo bom e desejo mau, causas do par e do lar.

serpenteando pelas escadas à volta
donzelas incumbem ao seu pastor 
o espírito e um abrigo raro do vazio
que chove desde a tomada do esotérico.
o entendimento, secundário pois qual discurso
se apresenta tão persuasivo como o fruto
do dito mau, tintinabulando com um guizo 
no corpo, que reluz de forma atraente e em mil línguas.
à minha esquerda uma torre, à minha direita mais uma
odeiam-se de morte, mas portam-se igual.

crítico do crítico do crítico, pousei a mensagem
e lembrei-me do final.

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