domingo, 18 de agosto de 2024

pedra papel tesoura

penduricalhos de capim guiné
nas orelhas do meu pai, prenho
de uma ideia apelativa e tradicional
que só prova que o amigo e o inimigo
são a circunstância, pura e natural.
a espada solitária enfiada no varvito
que eu conheci contigo, virgília,
os sedimentos em ouro na vista
de duas crianças.
foi a tua fé distinta, também
um pequizeiro abandonado, aqui
chamariam de fado, aí
a congregação fez o seu rumo.
com engenho e talvez um saber maior
eis que brota capim américa,
eis que se come pequi da europa
eis o fruto da nossa enxada
de quando pousamos a espada.

sem adornos, sem tangentes
espaço vazio na mente com que mentes
mas também na que cruza nos quatro caminhos
o ponto centrípeto
a semente
a raiz.
tantas coisas foram sítios
e agora são coisas, como mostro
na escrita. o monstro solto
sem casa nem presa,
indomável sem defesa.
no que sou daqui
senão no sangue e no espírito?
e tu, filho do capim guiné
no que és daí, senão no sangue e no espírito?

no varvito, vestígios
sedimentos de espécie invertebrada
um vislumbre doutra vida
aí, à vista de ser parte de ti.

quão atrás deveria ir,
pai, virgília, ancestrais
de honra e glória,
camponeses eternos da história
sendo todo por todo o lado
de todos e igual a todos
TONTO
pautado pela voz do tempo
um varve isolado
numa estória composta
folha caída por cima
sem noção dos limites
da sua dimensão.
como a vida, como os céus
um rio, um lago, a água
nunca distinta, una
e no seu papel.
diferenciação que ocorre noutro plano
Plano
tu ocupado a desenhar o mesmo tronco, o mesmo parque
como se pela passagem perdesse substância.
tudo, todos
uma foto, estática
toda a vida, um lago
seco, os ecos do que serás
não se escutam
nem se escondem
jogados numa espada
parada à tanto quanto
as camadas que a cobrem na lâmina.






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