quinta-feira, 1 de agosto de 2024

entrecampos

entrecampos, saudoso colega
lembrei-me de ti e dos nossos bons tempos
com a fita fazendo de trela, aventurando-se pelas andanças capitais,
hoje concretamente, como tu
também me encontro algures entre campos.

um lado sinuoso, promissor e distante
fotogramas estilosos, talvez a tua essência
céu azul, tu azul, verde por dentro,
promessas de um outono doce.

o outro pelas costas, fama e proveito
de memórias do campo grande, da escola de 17
feito num oito, encarnado invertido
esboços de um sorriso pendurado no casco de um barril.

três mainás rasam-me no ombro
e isso faz-me feliz.
que bom saber que confiam em mim
tão próximo, neles confio. estão a transitar
de um campo para o outro.
o meu passarinho azul inveja e pia
e o eco do cristal ressoa-me pelo espírito,
só ele sabe. 

no vale do agora, eu
ternamente a lembrar-me de um auge passado
considerando seguir os meus amigos plumados
como um ímpeto da vontade 
debaixo da mesa maquinando uma ideia
que compete mais acima do que letras.
no vale do agora vejo de baixo
debaixo da sombra das nuvens e de árvores centenárias
que sombreiam lá do alto dos dois campos.

a noite aproxima-se, o silêncio contamina
é um fumo pesado, espalhando-se no chão cérceo
ao nível da vista. 
o vento assobia no vale, os pinhões vão caindo 
aos estouros, uma urgência ou apenas
o eterno prenúncio do maduro.
é hora de escolher.

campo pequeno, para a alma
campo grande, pela glória
entrecampos, até sempre.

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