terça-feira, 6 de agosto de 2024

cigarros sensações francesas

ena! eis que se apresenta uma princesa
de corcel preparado muito acima do meu bode,
da minha ride e do meu bote,
como um filme que te ensina a ser
e a sonhar e a crer.
nunca seria um dean
óbvio,
mas há tanto dean neste plano
tanto dean meio zarolho e mundano,
tanta distância em um poema...
mano
acende.

parte um pra vós
parte dois para nós
sonho grande largo e arrojado
filhos da serra e do sado
um momento educado, prefeito
como um chefe doutra nação
atrás no sítio e no tempo.

ena! já te ias perdendo
falhou-te o vislumbre
e o sábio saber do teu instinto?
um sonho russo ilustrado,
bem sei, é difícil crer.

estouros lançados são de um nível
o mesmo som. volume igual e
puxa tudo, sem frequência que o absolva.
o fim posto, todos sabem,
tu sabes,
então é um negativo inútil.
assim vou maquinando a narrativa
pondo folgas em trincas presas
que eu sei ou creio ou quero
que sigam soltas e frouxas.
caem-te as plumas e a frágil idade,
optimista, penso eu,
se for mais sábio saberei mais,
penso eu.
tantos o fizeram
tantos o farão.
espero.

sonoplastia francesa, uma franja que reluz
ao sol, sensibilidade que sei tanto
e tão bem
o humilde toque e o não-saber 
frustrado, cansado,
esforçado em crescer,
bem capaz,
uma senhora.

nota a inversão intencional neste verso
meta-meta como quem és e como quem sois.

ena! atreve-te
atreve-te a usar nome, malandro
debaixo da luz e debaixo do pranto
tapado encarcerado em décadas
passadas e cansadas.

são duas linhas 
simples e não recíprocas
interruptor que não te atreves
a acender.
tão fácil: oi
desiste agora,
há um futuro tão largo aqui.
interruptor que não te atreves.
pois. 
quão profundo o querer?

és o george? vale tudo.
claro que não.
contudo
nos sonhos, de olhos abertos,
segredos expostos, pecados tratados,
vale tudo? 
pensa bem.
pois,
acho que sim.

há um texto por nascer
e embrionário aqui fica
sobre nós e sobre vós,
na superfície. mistura-se bem
com o que quero e o que acho
sobre ti.
 nunca saberias e sabendo
nunca admitirias.
sol posto que me fita
azul como nunca foi.

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