segunda-feira, 26 de agosto de 2024

estática no texto

senhora e filha, porta adentro 
mirando duma mesa em esplanada ocasional
percebem-se bem os fantasmas da mãe
que assombram o rés
e incorporam a criança pelos olhos
e ouvidos.
tirei um golo do veneno clássico
os movimentos, neuróticos, impacientes
tão certos do que nós somos
estas vilas mornas e incoerentes, feitas em pedra
do mais fácil, evidência de quando vendemos
o jogo por um duche quente.
criança de olhos abertos, sorvendo na alma
fantasmas antigos, demónios, bandidos,
tudo normal, eis o carácter.

mais um golo, meta pronta
que ontem jogamos à bola e foi bom
reproduzindo aquilo que em tempos foram pais
ou mestres, ou apenas um servo humilde
que deu termo à causa anunciada
e dedicada ao prenúncio da Mensagem.

falei disso, sem coragem por optar
mas serei isso, se o destino optar.

que prova preciso?
a tentação, rolando pela mesa como dados
incertos, esperando a certeza da sua instância,
no caso imóveis,
no meu, bafando entre dentes amarelos.

um bom chapéu, o futuro
escadas acima, sobem elas,
e vejo que à volta a vida segue.
agora não, imortalizadas ficam
nesta ilha perdida numa rede.

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