os dias encurtam no meu país
todos os anos, reduzidos
à vã previsibilidade do sol
e dos céus.
é aquela fase, afigura-se propícia
cubas pousadas das vindimas
esmagada pelo calor e pelos pés
peludos da vida ou reluzindo
da lente que os trouxe.
prensei e prensei e pensei
que um raio de luz que disparava
duma falha na cabana da adega
foi um sinal ou um presságio
colheita mansa, a dança na cesta
foram valsas em terços.
valsas em terços
as trincas pousadas nos barris
garfos usados e facas da poda
as aranhas nos cantos, cantando
e a jorna tímida
escondida debaixo das saias
do outono precoce.
os talos cunhados para as barbas desfeitas
ou para as barbas nojentas, manchas na pele
do calor de carpir noutra era
ou da calçada grande que faz de manta
de solos contaminados
ou de cama
de sonhos abandonados
num cálice ou num meio litro
de combustível do chão
fugido das unhas.
o homem de aço
sorvendo bagaço
as tremedeiras da mão
com dias num presto
e a colheita feita.
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