sexta-feira, 20 de setembro de 2024

ilha-terapia

morto vivo ou medicado
um pedaço de pessoa estirado 
nos braços de uma mãe alheia
a clareza do argumento suspensa
submersa em ouro e cristal
líquido, puxados do sal da terra
eu, uma poltrona branca numa clínica
com sorrisos agarrados à cifra.

trocado, agarrado, traçado de enxofre
e cinzas, rugas que brotam da alma
e pintam-me o corpo com a idade
as termas do zelo borbulhando.
uma mensagem na garrafa
parte desta ilha, com cheiro forte
uma promessa que faço, numa palavra
fraco 
o desenho dum sorriso decadente 
estampado em vincos atrás dos olhos.

menti menti menti
sem ti e sem muito, corda amarrada no poste.

desperta, um pequeno divã acorrentado
à resposta, ao retorno, uma mancha de areia
no sertão de mar e sal, atlântico 
como os tempos da luneta, lente riscada
a pega podre de escorbuto, púrpura
a realeza dum senhor guardando a terra
e o palácio-solitude. algures
um mapa dirá o caminho.
fim da minha hora, o sol posto
e morto, afogado,
pago o pecado, seguro cobrindo.

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