nas linhas da frente um coronel foge
para debaixo dumas silvas horrorosas
para se esconder do drone que o caça.
o resto do regimento já virou rega
para as sementes do ódio.
em silêncio, sustendo a respiração,
ele pensa nas suas vitórias, no que foi
feito dos seus tempos de civil,
os amigos idiotas trocando rodadas
entre si, pobrezinhos que não escapam
de silhuetas despidas e do contorno
da garrafa. foi inútil.
ouve as hélices cortando a folhagem
aproximando-se.
ele tinha namorada, amou
como conseguiu, não bastou
e depois partiu para feitos
honrosos, à espera de consolo
no átrio dos seus antepassados.
ele múrmura o último apelo
aos céus. sem resposta.
um grande silêncio
e anónimo se foi
no meio das silvas
tingidas de negro e vermelho.
o operador celebra a vitória
e risca o nome de outra pessoa
que pode ou não ser ele.
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