as crianças nas janelas espreitam uma figura negra que circula
bafienta e cansada, pronta a desistir de tudo, com a raiva nos olhos
e os punhos cerrados pela indiferença que habita no coração
da populaça que optou pela aragem dos iguais, banais,
camuflados na indiferença, vítimas de si e em si, donzelas
em apuros sem herói que as salve do transtorno dos confins
do mundo velho e sempre igual.
bate em porta e porta e porta, um remédio que se esconde
numa igreja que bem sabe, qualquer uma, a cruz em madeira pálida
é o descanso das pombas que sapientes observam o trânsito da espécie
que trocou dentes por farpas na mente, gatos vadios, predadores
de fé e crença, achando-se mais que uma cobertura de pele
e nojo que lhes afigura a imagem que plumam com tanta devoção.
a sombra roda, encharca-se em lagos medievais, comuns
aos senhores e aos plebeus que os servem, dignos de honras
e servos de gala e pompa, solidários nos tempos em que a fé
era produto da necessidade, tempos fáceis como carpir
uma terra nunca árida, capaz e brotando aquilo que a gente
precisa e crê, incensos badalando aos domingos que o crente
nem entende, mas aprende, humildade no espírito
que a devoção do meteoro extinguiu como uma bomba.
túmulos nas caras dos pacatos.
os zeros que fazeis de desacatos.
olho cego, vista plena
perante a consciência.
jovem de sorriso entristecido, uma miúda
que não sabe se muda o traje da sua manha
perante os corvos que descansam em mantas prenhas
de maldade e sujeição, o pé dormente da labuta
que lhe rende o conduto para um propósito moderno, consequente
da tradição recente e, ironicamente, milenar
de ser igual e ser um par destacado na presença
a semelhança, a diferença
a fé e a crença
uma criança na janela
vê a sombra passar, pingando
as gotas que lhe escapa dos olhos
para o peito do seu reduto, um produto
do seu tempo, inevitável confissão.
passei pelo filme a meio, desenhos assemelham-se
a manchas do sol poente, morto e extinto em água
como a dor e a mágoa, as serpentes da vontade
comprando-lhe o espírito pela sua ambição
de ser algo e de ser parte, triste figura
que me assombra a cidade.
bafienta e cansada, pronta a desistir de tudo, com a raiva nos olhos
e os punhos cerrados pela indiferença que habita no coração
da populaça que optou pela aragem dos iguais, banais,
camuflados na indiferença, vítimas de si e em si, donzelas
em apuros sem herói que as salve do transtorno dos confins
do mundo velho e sempre igual.
bate em porta e porta e porta, um remédio que se esconde
numa igreja que bem sabe, qualquer uma, a cruz em madeira pálida
é o descanso das pombas que sapientes observam o trânsito da espécie
que trocou dentes por farpas na mente, gatos vadios, predadores
de fé e crença, achando-se mais que uma cobertura de pele
e nojo que lhes afigura a imagem que plumam com tanta devoção.
a sombra roda, encharca-se em lagos medievais, comuns
aos senhores e aos plebeus que os servem, dignos de honras
e servos de gala e pompa, solidários nos tempos em que a fé
era produto da necessidade, tempos fáceis como carpir
uma terra nunca árida, capaz e brotando aquilo que a gente
precisa e crê, incensos badalando aos domingos que o crente
nem entende, mas aprende, humildade no espírito
que a devoção do meteoro extinguiu como uma bomba.
túmulos nas caras dos pacatos.
os zeros que fazeis de desacatos.
olho cego, vista plena
perante a consciência.
jovem de sorriso entristecido, uma miúda
que não sabe se muda o traje da sua manha
perante os corvos que descansam em mantas prenhas
de maldade e sujeição, o pé dormente da labuta
que lhe rende o conduto para um propósito moderno, consequente
da tradição recente e, ironicamente, milenar
de ser igual e ser um par destacado na presença
a semelhança, a diferença
a fé e a crença
uma criança na janela
vê a sombra passar, pingando
as gotas que lhe escapa dos olhos
para o peito do seu reduto, um produto
do seu tempo, inevitável confissão.
passei pelo filme a meio, desenhos assemelham-se
a manchas do sol poente, morto e extinto em água
como a dor e a mágoa, as serpentes da vontade
comprando-lhe o espírito pela sua ambição
de ser algo e de ser parte, triste figura
que me assombra a cidade.
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