sexta-feira, 4 de outubro de 2024

ócio e ofício III

contrarrelógio, letras da dependência
da pequena paz do espírito, escapando
com indolência da gaiola de ferro.
cada passeio uma jogada imprecisa
correria em quanta parte, toda a arte
do ofício encapsulada num sorriso fingido
que se extingue com o hábito.
serve-me bem, o correr e o suor
que mancha a camisa.
essas medições intolerantes, a expectativa
que seja mais a vossa capa do que
fique bem na minha
consumindo por dentro uma espécie rara
capaz, tombada para os lados
que oferecem qualquer tipo de consolo
um almoço, outra pinga em estômago 
de aço, vazio e impecável
muito resiliente aos transtornos
que o vulnerável não sabe
conter no seu próprio âmago.
ventriloquista que comanda o aparato
em movimentos a velocidades dobradas
dá-me um descanso conforme, justiça conforme
um rasgo claro de esperança
que as noites serão brancas
e a beleza da cidade se revela
não só nas mãos de pilantras
que coitados, sem culpa, acabam nas ruas
com mais honestidade na cara
do que a que eu meto numa câmera. 
os músculos contorcidos, a visão
alheia para sempre manchada da fraqueza
dum osso que se cura em curto trato.
sois impacientes, sois sim
juízes mais duros que Ele
o castigo nos ossos
as horas no ofício. 

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