nunca deixarei de ser surpreendido
pela falta de fé, pela falta de crença
como estas voltas são todas
tão únicas, tão bem desenhadas
à nossa imagem, à nossa vanidade
ao mesmo tempo rodando nos dados
do acaso do pó e supostos alienígenas
e coisinhas miúdas que não se entendem
e ninguém crê, raios, como?
hoje vi um filme
coisa comum, bem sei
mas foi uma comédia
e a cada dia que passa
aprendo um passinho, uma dobra
das voltas que as pulguinhas
vão dando para explicar
um texto mais velho que o azeite
o mundo existe
entre o orinoco flow
e as aventuras do sean
seguindo os truques de zardoz
percebes, leitor, ouvinte, amigo
que as raízes são as mesmas
assim como a forma
o compasso
as oitavas fugindo de beethoven
pelas mamas de malucas
de los angeles que foram usadas
com respeito, acho eu, para mais uma
historieta divertida e nietzschiana
sobre como Deus morreu, oh não
mas...
a cruz, o que foi?
quem O matou?
bolas, li passagens do texto
e levei com spoilers
de bissau a milão né?
do café ao moinho, do tornado
à loucura, do vulcão aos peixinhos
o sopro segue
e a gente canta
e bebe e come
e fode (muito pertinente)
e quebramos as regras do jogo
cremos nós, gnus mugindo
pelos vales
cantou a tartaruga:
oh a humanidade!
sou um servo Dele e aprecio
obrigado pelas risadas e pelas lágrimas
e pela vida boa que levo
sentindo no pelo cada espinha
que escapa da dentada faminta
dum glutão como eu
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