as besteiras da crença, sorte infeliz
na voz das vigas, coberta de ferrugem,
levanta-se no leito de cola e vime
e canta preces aos céus, o santo d'outrem.
foram dias celebrados, o canto das musas
os suplícios do ermo da canalha que acusas
postos à prova na hora, na cena do crime,
ganha forma conforme o que essa voz diz.
foram dias de luto, no último alento
escapou-se-lhe a alma e partiu-se em mil peças
rendendo-lhe pouco o esforço e o talento
seguirá com a morte nas suas caleças.
sim!
vesti-me de negro e de um robe rubro
e fugi do convento com as velas acesas
para que visses na noite o trilho das rosas
que morriam nas mãos do senhor de outubro.
sim!
perfídia vontade que atenta em horror
os poetas cantando e dando louvor
o juízo nos olhos, o sangue no bico
perscruta no pasto do alto do pico
caçando as cores que não clamam o fim.
mentiras que baste desse focinho honesto
jaz no exílio, seu filho do barro
pendura a roupagem na ponta da haste
restará um reconto do teu fato funesto
e da tua indolência pouco mais que o tarro.
sim, é o teu fim
traidor!
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