domingo, 13 de outubro de 2024

juventude em desfile observa o mundo à volta

uma lembrança na janela
a marcha arrasta-se na areia
e virámos costas ao seu hino
e marchamos com ela.
somos crianças de cravo ao bolso
a fortuna no conto e o discurso no ponto
heranças do vislumbre inocente
e filhos de um pai doente.
torna, vira a esquina
desce rumo ao mar,
o atlântico e as gaivotas
de bicos serrados, aprendendo
a honesta forma de roubar
às mãos que as domaram.
marchamos, chinelos e botas
e na bolsa os pesos
que um braço fino não aguenta.
nem espingarda nem vício
só as bolhas de sabão
que fogem da janela em direção à marcha
e seguem viagem muito adiante
por ruas sem corpo onde não há caminhar.
por isso marchamos
ali e dali para fora.



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