amável pombinha, deixei-te umas sementes
no parapeito da janela do quarto.
sois vista e sou todo ouvidos
penas que quebram águas e nos adornam
capacetes,
queria uma em glória e grande
para escrevinhar cantigas de traição e saudade
assim da asa, cinzenta e branca como as noites
das cidades a norte.
a tua dieta de pão e lixo é o trato
que te demos mas não o que sonhamos,
nem agora nem nunca. a tua nuca reluz
contra o sol o roxo real, o verde da vida
e as gotas que persistem.
no parapeito da janela do quarto.
sois vista e sou todo ouvidos
penas que quebram águas e nos adornam
capacetes,
queria uma em glória e grande
para escrevinhar cantigas de traição e saudade
assim da asa, cinzenta e branca como as noites
das cidades a norte.
a tua dieta de pão e lixo é o trato
que te demos mas não o que sonhamos,
nem agora nem nunca. a tua nuca reluz
contra o sol o roxo real, o verde da vida
e as gotas que persistem.
cão de caça e cão de raça
endividado em tacanhez
cheirando pombinhas amáveis
uma de cada vez.
endividado em tacanhez
cheirando pombinhas amáveis
uma de cada vez.
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