sentado à rufia no cadeirão de pensar
a mãe considera que me portei mal
pois serviram umas ostras com caviar
salivando com gambas em alho e sal.
a vitória no bolso e o descanso na testa
sonhei com princesas e um dia feliz
lancei os balões e montei uma festa
celebrando o desfecho que o destino quis.
escondi-me encarnado, a vergonha na face
o filho da escória caminhando no mundo
as bochechas rosadas do sujeito da classe
baixa e invisível, a rapa do fundo.
na calada da sombra a cidade navega
os fulanos lançando as mãos ao pão d'hoje
foram sombras ocultas em textos de um mega
que placaram a besta que bufa e foge.
raros dias de sol, e eu de castigo
cantando uns versos no meu lar amigo
que em casa ondula um lago em silêncio
vendemos do solo o sagrado consenso.
o que virá, o brilho,
o tabaco e o milho
que foi feito na terra
e fugiu-se da guerra.
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