se o destino nos desse bolos
voavam pratos pelo chão
e o doce seria um nojo
e se nos desse um chá de menta
verteríamos tudo pela mesa
e chapinhando com as palmas
voariam salpicos e ficavam as nódoas
nas nossas vestes brancas e puras.
é o que se diz, deve ser prudente
é o que vejo, deve ser real.
o fantasma do desejo dá-nos caminhos de escape
imagina-se em luvas de combate, derrota o oponente
e parte-lhe os dentes, grande gajo
mas só no silêncio do que podia ter sido
e nunca no ringue quando o sino toca.
que zelo no mundo de caras e olhos
como se cala a traqueia malvada
numa falta de vocábulos que me tira o ar.
é do preparo
é do aspecto
é do semblante cansado da sesta
foram as calças que te deram na escola
foi a miséria que te tranca o bico
foram os herdeiros de barco na costa
foi tudo menos a falta de vontade.
a palavra que buscas: fraco
fraco fraco fraco fraco
formiguinha perdida
no bico dum pardal
fraco fraco fraco fraco fraco fraco fraco fraco fraco fraco
as doses de ar pleno
que resistes em apneia
o sopro do esforço
quando olhas de soslaio
e viras a cara a medo.
fraco fraco fraco fraco fraco fraco fraco fraco fraco fraco
fraco fraco fraco fraco fraco fraco fraco fraco fraco fraco
fraco fraco fraco fraco fraco fraco fraco fraco fraco fraco
fraco fraco fraco fraco fraco fraco fraco fraco fraco fraco
fraco fraco fraco fraco fraco fraco fraco fraco fraco fraco
anémico intuito gradeado e apoquentado
posto na beira, foi derrubado
e rebolou pelo chão gasto
e ficaste ali, estacado como um cavalo
amarrado a uma cadeira
vendo-o desintegrar-se com a água doce
e o cheiro a menta.
foi boa a tertúlia ontem
voltei para casa
e fui grande nos meus sonhos.
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