dum homem da guerra nasceu
esta terra embaçada de cobardes
que abanam a cabeça quando o vilão
aparece sem surpresas à porta.
a vigia é um homem que dorme na boca-de-fogo
enquanto a carrinha avança sem saber
se é missão, rotina ou armadilha
ou quiçá resposta a um ataque
lançado pelo dito do outro lado da fronteira.
derrotem-nos
pensou quando acordou
entreguem o ouro a espanhóis
ou a franceses, vejam se me importo.
venham daí os tanques do nosso fim
é hora de lavar os montes encarquilhados
pútrido chão de bastardos e cães de casa
as rugas no solo são o legado que nunca viu
o encarnado e o verde da bandeira.
guerra aos rios
guerra aos montes
guerra ao dicionário
guerra ao futuro que nunca veio
os artilheiros esperam um sinal
nunca virá
nunca será
nunca seremos
saltemos para o atlântico
mortos para o mundo
e vivos entre os peixes que habitam
o reino infinito das profundezas.
pátria amada
partiu.
nadamos pelas confrarias daquilo que já não é
entre estátuas e legados que foram lavados
pelo sal e pelas fossas,
agora comida para seres microscópicos.
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