domingo, 24 de novembro de 2024

lembranças e um apelo à sabedoria do templo sem respeito

teria um diálogo civilizado contigo
se guardasses a adaga na cinta
deixando soar a lâmina nos seus
claustros de cabedal
descansadinha e sem perigo. 

o mundo tremeu porque
já não nos encarregamos disso.
há jeito nessa loucura avariada
de gente que nunca carpiu?

notifica-me quando voltares
quando os dedos pulsarem por
provocadoras sensações de ódio
que geminam as intempéries
e dão tanta tanta vontade de espetar
estes indicadores suaves garganta abaixo
até o léxico sair num molho nojento
"chama-me nomes
uma besta, duas, 
um porco que fuça
e a porca que o abriga".

sendo cruel como os inocentes
quando dormem e se esquecem
da maleita que cultivam no silêncio
penso em duas estrelas
uma brilha longe e proibida
nos cárceres da fantasia
muito se dança no quarto maçónico
em nome dessa sábia dimensão
que se pinte boaz em mais que cobre
e os cães ao largo mijam
por cima dessa idiota premissa.
a outra carrega nas vestes
medalhas de mérito que certificam
a chama que procuras.
parece melhor
não bom
real e autêntico
melhor.
o mapa do labirinto está aberto
e a lua cheia chega em vinte dias
hora de tomar uma decisão
contra os pilares secretos da ordem.
eu estendo os meus, no meio das mãos
mas olhando em frente percebo
que o insulto que aflijo
é a voz que compele
e erectos se entendem, realmente,
conforme esses desígnios 
sagrados, sarcásticos e efémeros.

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