eu prefiro falar de mulheres
do que de temas complicados
sobre o futuro, do que será
das sombras do abismo
as ciscadas dos grandes sonhos
marretando nos seus corcéis de vocábulos
que levam a ideia pelas sinuosas
contracurvas do que não importa
burro como um urso satisfeito
abrindo portas para fazer companhia
sem vontade de comer.
eu amo-te amiga
qualquer uma
ponto final
ponto reticente, vários
que a linguagem não guarda
competência nem com álcool ou sonhos
para descrever como és princesa
sonho de mil noites de verão
varoa duma torre em cheque
mais mais mais
que vós, que eu
leitores machos pixados
todos os que vão chegar a este ponto
másculos e lindos
LINDOS
o camelo bebe água
por tantos meses né?
estiquei-me
e foi foi foi
assim como a tua silhueta venceu
a carne sem vacilo
deuses e animais morrem na estaca
daquilo que é agora
agora agora agora
e eu farto da ágoras
do agora
venha ele salvar-me de escanteio
em cinzeiros metálicos duros como a vontade
que não perdeu o fogo do tacto que arrasta as unhas
pela carne sangrenta.
venham, venham bascos asquerosos
de vinhos e cidras requentadas
as lamúrias de gentis
que não nasceram para isto,
o cheiro a salsicha
tresanda a morte de porcos
seu filho da mãe.
bateu em oiro
doirando as bochechas sedentas
mordendo a mordaça e o pó
quem sabe do que é feito?
eu não
fizeste a barba, cortaste pontas
espigadas;
que herói da poesia.
morre morre na beira do que não foi
e de onde não és.
faltam horas para comer
e o solo não brota
ração ressequida
dos vulgos fulgores da vontade
em ouro e prata
invisível.
calham flores em camisas pálidas
a cara derrotada do ator que já se foi
plumado peito de um homem
e de cabedal peneirado das vacas
que dão o leite que mete o cabelo
lisinho e com vontade.
idiota
tu mesmo, leitor
eu, o leitor
que nunca verga o vidro
nem os vultos que larga
pelas velas duma casa
iluminada pelos canhões
do presto e esperto desporto
das volições que são vilões
e o desejo por uma face quente
que encarne com um punho fechado
em aldrabices, fugazes e de cognac.
meita é a espera
dos desacatos do controlo.
eu guardo segredos do mundo negro e fundo
um coração puxado e esticado
nos benditos arcaboiços
do diabo que é filho Dele
como todos e como tudo
que come sol.
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