escolhas infelizes pregam presas no alçapão
das patas de gatos bravos, criados nas ruas
e que vivem de migalhas e ratos que circulam
na alta hora do silêncio, em segredo, e que remexem
os contentores e a cablagem exposta de amanhos e puxadas.
eles cravam as garras em desespero, às escuras
rangem os dentes e berram lá de dentro.
não circulam humanos a esta hora
e eles não sabem jogar em equipa.
então então, que desespero que aqui vai!
arruaceiros malvados, calhou a hora
de pagar as favas, estou a perceber.
salvarei os mais quietinhos
ou os mais lindos?
talvez os mais prestáveis
ou então os mais amigos...
e riu-se do outro lado da porta.
a gataria pôs-se calada à escuta.
mas esperaram esperaram
e esperaram e nada
foi só uma troça de um diabo cruel
que passou ali ao acaso
e o soalho virou uma cova
na indiferença do fulano.
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