fala rápido quem pode, quem quer ou quem tenta
pelas tépidas trancas do orgulho e da ânsia
de algum cutelo que se encoste à crina solta
e foge a quimera entre as bolhas de mil cores
nos cortes que palpitam entre artéria e via
felpuda no chão quente. parte do todo
finalmente.
É FALSO
não não é
não é?
É F-A-L-S-O
e isso não é optimista?
só depende do chapéu que usas.
rosas embrulham os faroletes à beira
de parqueamentos refeitos para grandes superfícies
o desejo desvanece na sua intensidade
e as espinhas picam nos cantos roídos
de unhas nervosas que já riscaram o chão,
a cara, as escabujas que enrugam a testa,
costas pálidas que já se foram
e o serrabulho dos ouvidos.
nem o vento passa
nem os melros se vão
só a noite estacionada com os carros
que corre sozinha por entre casas
de um bairro novo.
foi HONESTO
que se habite em mundos vivos
e desencontrados de relva rasa
o cimento rega o chão
com o cinzento do que é possível
e as flores são as luzes que adornam
um mundo rápido como agora.
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