os amarelos eram um bairro malvado cheio de gunas
e gente da terra rasa mas também são cores cheias de vontade
como as luzes da rua que fogem das pedras que deambulam
embriagadas pela calçada, os calceteiros que as meteram.
blusas brancas em ruas roxas e esquinas que cheiram a fumo
e aos fritos que a cultura carrega pelos seus cinquenta
madraços comparsas ligados ao município ou ao que fica
à beira do precipício pressuposto fim dos pesos da luta
e do que é difícil explicar em palavras. o poder, o verbo,
o que foi antes de se pintar o que era, a vista da serra ao alto,
os cabaças varoas de flores de plástico e enfeites que piscam.
turbulência nas camadas
que cobrem o pêlo
de mentiras que são decoro
de mentiras que aprazem
ao ouvinte que se senta
e se sente cansado.
frango frito nas beiças dormentes
de bagaço barato.
pujança e confiança na marcha certeira e ordenada
da matilha faminta que antecipa as sequelas da noite
das mil e uma horas de pura névoa e de puras noites
brancas como leningrado no inverno, invicta e adornada
do Senhor em todo o canto, a estrela brilhando no topo da torre.
fala com eles, lembrando quem és e donde vens
dribla com eles e com elas em jeito malandro sudaca nos poros
e nos queros onde habita uma paixão verdadeira.
as ânforas encostadas à parede, mementos doutros tempos
e templos com sangue e fumo de incenso e glória de batalha
punhos fuinhas fechados em cinta grossa, prosa que encanta
contadores de histórias e putos que seguem a sua voz suave
na cantiga dos heróis mitológicos extintos e amantes
de deusas e pecadoras, seios à mostra nos décors
de antigamente. ralé sem noção, ralé sem ração
morrendo de sede e vontade de planos.
sereno não sóbrio
vendo as turvas ondas dum barco
que se afunda pelos rápidos
da confiança de outrora.
asas para que te quero
sonhos que fogem da memória
as coxas da vergonha
mostrando o orgulho
em ter sido tão bela.
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