o fardo dos mentirosos
encobre a noção que finda a esperança
no apego aos êxitos do zelo
que dobram costas serenas sem ornatos
em observações crípticas e trocas ligeiras
longe do terreno chão calcado pelas solas
de calceteiros, dos que recuam na hora
mas também pelos que avançam sem ceder
com o fulgor dos céus abertos
ou de juntas adestradas por arco e flecha
e a eterna permanência.
segredos também podem ser
postos em cárceres para que fiques
em silêncio.
o mesmo âmago,
permaneces incomunicável
em verso, em respostas retrucadas
vão-te retirando as palavras tento a tento.
é moroso mas certeiro que um dia
restará uma essência em vácuo
e os ossos serão a esquife
de tudo aquilo que não foi dito.
esta folha em branco sem fim
é propícia ao termo que buscas
contudo
eis que a cobardia alheia
encerra-se nos teus dedos
a rúbrica alertando os sentidos
da constância da tinta seca.
evapora-se o intento
e a busca será adiada por tempo incerto,
ilusões vencem ao pulsar
duma fraca consciência
novamente.
mais letras para o grande vazio
que encobre o cerrar da esperança
mas paradoxalmente observando
o júbilo que se revela aqui.
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