tuuudo em ordem
em nome do rosário
badalando contra o frio
e no peito vazio.
estrela do folclore cantarolas
tu pelas amargas sessões
de dança que fazes no átrio
enquanto pulsam quartos além.
colhe-te a espera como
se fosses o trigo
que a foice leva
nas mãos do camponês.
tuuudo passa enquanto
enternece essa cara de cachorro
os cílios batendo nas rochas
à beira do caminho.
rebenta a manhã numa franja
alheia e dispersa com o vento
e os nós na espinha
apertam-se contigo.
sentes os calafrios
que suplicam perdões
dum pedaço de ferro
pedindo socorro em segredo.
perdemos tempo
os dois mas
não pensemos nisso
tá tuuudo certo.
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