é fácil dizer adeus quando já o dizes vezes antes de partir
contando com os fugazes caprichos de dias vindouros
ora passa um vento destilado que espalha pinhas no natal
ora varrem-se as folhas na tempestade, arreando o ódio
em movimentos bruscos que refletem o espírito fraco
buscando castigos e querenças de justiça que não chega.
dizes adeus, é fácil partir
e os dedos finos e pálidos riscam-te o cabedal dado
e os sapatos encarnados estalam na pedra respondendo
aos solavancos, um após o outro, contigo e depois ao longe
e as horas amistosas passam num pulso fino
já sabendo o toque graduado da chama que se apaga
quando dizes adeus.
há algo no brilho que reside nessas órbitas
puras pérolas que desmentem o verbo
e faltam-me as palavras
senão a despedida e o compromisso.
é verdade que penamos debaixo dos pinheiros
adornamo-los com cores e formas e fios
algumas são um rosto brando
outras são estrelas piscando
saberias dizer-lhe os contornos
pois saberia, com a mão no queixo ponderando
bolas como se assemelha à minha irmã
lanças umas palavras baratas a pendurar nos ramos
que vão ficar nesta feira apagada que já fechou
sem dares por ela quando entra
com a vista mentindo aos ossos.
dispões lembranças que já não guardas,
ficam estanques com as visitas.
nada pode impedir a santidade festiva que ajunta as almas mansas
elas cruzam-se uma vez depois da hora, tentadas e inibidas
e não há ruim vazão para resolver esta querela
baixas a cabeça, sorris com os olhos, desejas boas festas
e mandas um adeus barato que pode ser
até já
até logo
até sempre.
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