terça-feira, 24 de dezembro de 2024

visto da toca, pinheiro de pedra

pontos opostos
transmutam a sabedoria
da nostalgia à aceitação.
consciência em montes castos
dormitando junto das memórias
que levitam com o orvalho
e pintam de branco os telhados
de moradias em pedra negra.

neva na calha
estão aconchegados lá dentro.

desperta numa gruta
perdida pelos alpes
uma aldeia pacata
como pirilampos no mato
esconde-se entre flocos
e um fino fio húmido
escapando-se dos olhos
congela
antes de bater na pedra negra.

o céu está coberto
de estrelas e aviões
fogem.

cantigas abafadas ecoam
com sotaques arrastados
reverberam as rochas
ciscando impurezas do lago
azul como a face vencida
e oscilam reflexos em prata
que aparam a geada em filas ordeiras.

mistura-se a música
com um ténue balir,
montes opostos
fitam-se das nuvens.

despe-te pinheiro
conhece o frio que te consome
serão longos os raios da manhã 
em que aceitas transmutar
entretanto a neve
cobrir-te-á os braços magros.

Nenhum comentário:

Postar um comentário