larvas
penduradas em cabelos brancos
fugindo de ouvidos cheios de rancor.
cobrem-lhe a cabeça
é a sua coroa
pousada no couro
frouxa e carcomida
viva como espectros
aguardando uma qualquer
metamorfose
que a absolva do seu arrasto.
o banquete
queimor que guarda a epiderme
um abcesso o seu casulo
e as larvas cortejam no rastejo
o sangue vivo que escorre
do régio ser deposto.
foi o desconsolo
ou o desapego de uma causa
o ócio no cimo da torre
escarmento que se repete.
beija-as
entrelaça-as nos dentes
celebra a sua forma
libertino senhor d'outrora
larvas serão as musas
por baixo dos lençóis
no bafo.
escondidos nesta orgia
prossegue ele
praguejando
quando as velas se apagam
a ira corre solta
e vai queimando por onde passa.
excelentíssimo
tornaste-te no apanágio
de comilões
aqueles que vieram
nas estátuas que galaste
por cima dos teus herdeiros.
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