os mortos não te vão seguir
sem pena, sem rir ou sair
os largos passos no passeio
vão subir com pressa aos céus
a fita baixa, as mãos nos bolsos
continuarão cerradas, suadas no vazio
tudo quanto queiras vai ficar
o barro não dá sorte nem azar
ele abraça-te os ossos e o pó
é a vaidade que levaste.
erguem-se pedras polidas
marcam o nome dum tesouro
sem chegadas nem partidas
é o labirinto das eras douradas
onde se fundaram heróis em silêncio
e quem perde não ganha
e quem ganha não vence
por muito que pense
em cornetas pairando
nas cercas de rocha fina
adornadas com safiras
como as lentes duma gárgula
perscrutando o orgulho.
o barulho dos tambores
engole a glória clemente
ficam ossadas em terra
e não te seguem os mortos
quando cai o véu
repousa no brilho grato
que aceita o seu desfecho.
há um reino eterno
pássaros que são o espectro
a vigia da melodia
na casa dos teus antepassados
curva-te
e aprende a sorrir
os mortos não te vão seguir.
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